Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Morte do vice sudanês provoca onda de protestos e 36 mortes

Terça, 02 de Agosto de 2005 às 06:52, por: CdB

Pelo menos 36 pessoas já tinham até às primeiras ho9rtas desta terça-feira em Cartum em meio a conflitos detonados pela morte de John Garang, que liderou os rebeldes do sul do país durante duas décadas antes de selar um acordo de paz e ingressar no governo.

Garang, uma figura-chave no acordo de paz firmado em janeiro, tornou-se o primeiro vice-presidente do país no dia 9 de julho. Ele morreu no final de semana, quando o helicóptero presidencial de Uganda, no qual viajava, caiu por causa do mau tempo.

O Movimento de Libertação do Povo Sudanês (SPLM), liderado por ele, nomeou na segunda-feira o vice de Garang, Salva Kiir, como seu sucessor e disse esperar que Kiir seja empossado como o vice-presidente do Sudão dentro de duas semanas.

Os Estados Unidos disseram ter enviado dois diplomatas à região para garantir um processo de sucessão tranquilo e a continuidade dos esforços de implementação da paz.

- Convocamos todos a trabalhar pela implementação dos planos do doutor Garang de um Sudão unificado, próspero e em paz - afirmou a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, em um comunicado.

Mas, quando as notícias sobre a morte dele se espalharam, milhares de simpatizantes foram às ruas de Cartum armados com facas e barras de ferro. Lojas foram saqueadas, carros, incendiados e houve confrontos com a polícia. Dois policiais contaram que 36 pessoas, entre as quais membros das forças de segurança, foram mortas nos distúrbios.

- Eles (os simpatizantes de Garang) estão batendo em qualquer um que pareça ser árabe - afrmou Swayd Abdullah.

Membros do SPLM e do governo - inimigos durante os 21 anos de conflito - prometeram manter o acordo de paz para o qual Garang contribuiu.

O presidente sudanês, Omar Hassan al-Bashir, afirmou ter certeza de que o acordo continuaria a vigorar.

Garang havia saído de Uganda a bordo de um helicóptero, no sábado, a fim de regressar ao Sudão após um encontro com o presidente ugandense, Yoweri Museveni.

Várias pessoas em Uganda e no Sudão disseram que, aparentemente, o helicóptero caiu por causa de condições climáticas ruins. Seis das pessoas que acompanhavam Garang e os sete membros da tripulação também morreram.

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