A intervenção política no caso de Terri Schiavo foi mal vista pela maioria dos americanos e considerada insuficiente pelos ativistas do chamado movimento pró-vida o que, segundo especialistas, pode levar a uma batalha política em todos os níveis da sociedade americana.
O drama da americana que morreu na quinta-feira depois de 13 dias sem o tubo de alimentação que a mantinha viva envolveu o Congresso, o governdor da Flórida, Jeb Bush, e o próprio presidente George W. Bush, que chegou a ser acordado de madrugada para assinar uma lei dando jurisdição para os tribunais federais intervirem no caso.
- Eu acho que ele deveria cuidar da vida dele - disse David Giannino, um dos manifestantes a favor da remoção do tubo que estavam na frente do hospital onde Schiavo estava internada em Pinellas Park, no oeste da Flórida.
Embora minoria na frente do hospital, Giannino expressa a posição da maior parte dos americanos de acordo com as pesquisas de opinião pública.
Mas, bem organizado politicamente, o movimento pró-vida faz barulho, especialmente em casos polêmicos como o de Schiavo.
- Eu acho que eles são uns covardes - disse Jeff Asmussen, referindo-se ao presidente e ao governador.
"George/Jeb Bush, você é um homem ou um rato?", dizia um outro cartaz.
Os dois alegam que fizeram o que puderam dentro dos limites legais para manter Schiavo viva, mas depois da sua morte já sugeriram que o seu caso deve levar a uma revisão da legislação sobre o assunto.
O jornal The Washington Post prevê uma polarização política ainda maior em torno do tema, com os republicanos usando o caso para fazer avançar sua agenda conservadora e os democratas movendo na direção contrária.
Segundo o jornal, a divisão reflete a estratégia política e eleitoral dos dois partidos, os republicanos apostando na mais mobilizada base conservadora e os democratas tentando conquistar os "americanos moderados".
Ao comentar a morte de Schiavo, o presidente americano já fez um apelo para que "todos aqueles que honravam Terri Schiavo a continuar lutando para construir uma cultura da vida".
Mas o episódio marcou, pelo menos por enquanto, a relação entre Bush e a o movimento pró-vida, com fortes raízes nas igrejas.
- Eu não vou perdoar. Eu vou fazer campanha contra eles - disse a missionária batista Donna Kuntz, que diz ter participado das campanhas eleitorais "dos dois Bush".
Tom Neverdad, um cristão renascido como o próprio presidente, vai mais longe, dizendo que Bush usa a religião apenas para benefícios políticos.
- Ele bombardeou um país que não tinha nada a ver com (os ataques de) 11 de setembro e ele não pôde fazer nada por Terri? - disse Neverdad.
Morte de Schiavo inicia batalha política nos EUA
Sexta, 01 de Abril de 2005 às 13:47, por: CdB