A imprensa internacional repercute, nesta quinta-feira, a morte do jornalista brasileiro e criador da Rede Globo João Roberto Marinho. Ele morreu na noite de quarta-feira, aos 98 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de um edema pulmonar causado por uma trombose.
The New York Times
O jornal americano destaca, em seu site, momentos da trajetória do empresário. A publicação cita o patrocínio às artes dado a muitas exposições através da Fundação Roberto Marinho, além de sua coleção particular com cerca de 700 trabalhos de arte, incluindo Pancettis e Mondrians, em sua propriedade no distrito de Cosme Velho, no Rio, nos pés do Cristo Redentor.
O lugar na Academia Brasileira de Letras, que passou a ocupar em 1993, também é lembrado.
Com uma fortuna estimada em US$ 6,4 bilhões em 2000, Marinho viu seus bens diminuírem após problemas financeiros e o declínio da moeda brasileira.
"Este ano, ele ficou de fora da lista anual de bilionários da revista Forbes", diz o texto.
BBC
O site da rede britânica BBC conta a história do magnata de mídia que transformou o jornal fundado por seu pai em uma rede de mídia global.
Além de citar a importância do império construído por Roberto Marinho, a BBC ainda menciona que o jornalista ganhou notoriedade como um defensor da brutal ditadura militar do Brasil e por impedir as investigações de suas relações com o governo.
Roberto Marinho nasceu no dia 3 de dezembro de 1904 no Rio de Janeiro. Seu pai, Irineu Marinho, fundou o jornal A Noite em 1911. Já em 1925, Irineu vendeu o jornal e fundou O Globo, mas após 21 dias ele morreu, deixando o jornal nas mãos do jovem repórter Roberto.
A importância de Roberto Marinho é descrita pela BBC como uma influência inigualável, tendo formado as Organizações Globo, com suas revistas e jornais, uma rede de rádio, uma editora, e a TV Globo, a mais importante rede de televisão do Brasil.
A TV Globo, com 113 estações, atinge hoje 99,9% das casas brasileiras. O lançamento da TV Globo coincidiu com a queda, em 1964, do presidente João Goulart.
Os comandantes militares queriam uma rede de telecomunicações que publicasse iniciativas políticas e informasse a agenda cultural e de notícias. A Globo se tornou essa voz.
Roberto Marinho usou sua influência para publicar suas visões - geralmente expostas em "editoriais" - e escolher políticos por simpatia ou censura. Ele ainda foi amplamente criticado por ignorar os abusos de direitos humanos e protestos pró-democracia do período.
Em 1993, a exibição brasileira de um documentário da BBC que examinava suas relações com o governo foi misteriosamente cancelada, seguindo uma ordem do governador de São Paulo, aparentemente a pedido de Roberto Marinho.
Um de seus principais críticos durante a ditadura foi o atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Mas na noite da última quarta-feira, Lula - como é conhecido - elogiou Roberto Marinho e decretou luto oficial de três dias.
Clarín
O jornal argentino Clarín fala sobre as circunstâncias da morte do empresário.
A publicação destaca que Roberto Marinho era proprietário de um patrimônio pessoal avaliado em mais de um 1 bilhão de dólares e de um império editorial que fatura, a cada ano, cerca de 5,7 bilhões de dólares, incluindo a mais importante emissora de televisão da América Latina, a TV Globo, considerada uma das cinco maiores do mundo.