A jornalista canadense Zahra Kazemi, presa nesta sexta-feira pela polícia iraniana, morreu num hospital local após ser hospitalizada em coma, confirmou neste sábado a organização Repórteres Sem Fronteiras.
A RSF, que afirmou estar "profundamente consternada", denunciou que as autoridades iranianas "procederam à detenção" da jornalista "de forma arbitrária e não fizeram o necessário para dar-lhe os cuidados médicos adequados", afirmou seu secretário-geral, Robert Ménard, em um comunicado.
Segundo o texto, a morte de Kazemi, que segundo seus familiares entrou em coma depois de ter sido torturada, "é uma triste lembrança de que o regime iraniano é um dos mais duros do mundo com os jornalistas".
Kazemi, de 54 anos, que tinha nacionalidade canadense e iraniana, foi detida no último dia 23 pelas forças de segurança iraniana "quando tirava fotos", e sua morte ainda não foi esclarecida. A RSF pediu ao Irã que permita a repatriação do corpo ao Canadá, como pediu sua família, e que organizações internacionais "independentes" possam investigar o ocorrido.
Kazemi estava no Irã para fazer reportagens e pretendia ir ao Turcomenistão. Depois de sair de casa no dia 23 de junho, sua família ficou sem notícias suas por vários dias, até que as autoridades informaram que a jornalista estava internada em um hospital militar de Teerã.
Sua casa foi revistada pela polícia, que apreendeu dinheiro e câmeras fotográficas, afirmou a RSF, acrescentando que apesar da permissão para representantes oficiais do Canadá de visitarem Kazemi, eles não puderam ter acesso a sua ficha médica.
O jornal canadense The National Post publicou nesta sexta que, segundo informaram médicos iranianos às autoridades canadenses, Kazemi entrou em coma depois de sofrer uma hemorragia cerebral quando estava sob custódia do Governo iraniano.
Segundo o jornal, a detenção da jornalista, nascida no Irã, mas que morava no Québec há anos, ocorreu no último dia 7, sob a acusação de espionagem. A jornalista tirava fotos da prisão de Evin, norte da capital iraniana, onde foram presas centenas de pessoas depois dos protestos estudantis de junho.
Segundo Stephan Hachemi, filho de Kazemi, dois dias após sua detenção, a fotógrafa foi transferida inconsciente para um hospital, com ferimentos em todo o corpo.
Na quinta-feira, as autoridades canadenses se reuniram com o embaixador iraniano em Ottawa, Mohamed Ali Mousavi, para saber sobre o estado da detida e solicitar que fosse examinada por um médico independente.
Reynald Doiron, porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores canadense, disse ao The National Post que Ottawa não pode concluir que Kazemi foi torturada até que o caso seja investigado a fundo. No entanto, segundo seu filho "não precisamos saber que foi torturada. Isso é óbvio".
Morte de jornalista canadense no Irã é confirmada por RSF
A jornalista canadense Zahra Kazemi, presa nesta sexta-feira pela polícia iraniana, morreu num hospital local após ser hospitalizada em coma, confirmou neste sábado a organização Repórteres Sem Fronteiras. (Leia Mais)
Sábado, 12 de Julho de 2003 às 16:23, por: CdB