Uma bomba plantada ao lado de uma estrada iraquiana matou três soldados italianos nesta quinta-feira, expondo diferenças dentro do governo de Romano Prodi sobre a retirada da Itália do país árabe. O Ministério de Defesa da Itália disse que três italianos e um soldado romeno foram mortos quando a explosão atingiu o comboio deles em uma estrada a sudoeste de Nassiriya, cidade onde as forças italianas no Iraque mantêm sua base.
Um quarto militar italiano ficou gravemente ferido. As mortes são o primeiro teste para Prodi, que venceu as eleições neste mês por uma pequena margem de votos e que agora precisa contrabalançar as exigências de retirada imediata feitas por seus aliados mais à esquerda com suas próprias promessas de realizar uma retirada gradual. Durante o governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, a Itália enviou cerca de 3 mil soldados para o Iraque, estacionando ali o quarto maior contingente estrangeiro apesar da disseminada oposição interna à guerra.
As forças italianas no Iraque, se comparadas com as dos Estados Unidos e as da Grã-Bretanha, sofreram um número relativamente pequeno de baixas, o que deixou os líderes políticos e a opinião pública altamente vulneráveis a notícias sobre novas mortes. Os assassinatos de quinta-feira aconteceram em meio ao ataque mais violento contra soldados italianos no Iraque desde que um atentado suicida de 2003 tirou a vida de 19 italianos na cidade de Nassiriya.
- Essa é uma tragédia para toda a Itália - disse Prodi, enquanto políticos de todas as tendências davam seus votos de condolência às famílias das vítimas.
Prodi, cujo governo só deve tomar posse em meados de maio, prometeu trazer os soldados italianos de volta após realizar consultas com a coalizão liderada pelos EUA e com as autoridades iraquianas. Mas, na quinta-feira, o ex-premiê deparou-se com apelos feitos por seus aliados para que os soldados saiam do Iraque imediatamente. Já integrantes da futura coalizão de governo disseram que o ataque não deveria influenciar os planos da Itália.
- Precisamos deixar claro para todo mundo que a agenda da Itália no Iraque nunca foi nem nunca será determinada ou modificada pelos atos criminosos de terroristas - disse Francesco Rutelli, líder do partido Margherita.
O arqui-rival de Prodi, o ex-premiê Berlusconi, cujo governo havia prometido retirar os soldados italianos do Iraque antes do final do ano, disse ter ficado "profundamente abalado" com a notícia sobre o ataque. Aliados dele advertiram sobre os perigos de antecipar a retirada.
- O maior erro seria cogitar uma retirada imediata. Isso significaria deixar o terrorismo vencer - afirmou Fabrizio Cicchitto, do partido Força Itália, de Berlusconi.