O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, prometeu nesta segunda-feira uma investigação "justa" e "completa" sobre a morte de um homem negro, que estava desarmado e foi baleado pela polícia nova-iorquina no último fim de semana. Bloomberg condenou a morte do jovem Sean Bell, de 23 anos, mas manifestou apoio à polícia nova-iorquina depois de se encontrar com o chefe da entidade, o comissário Raymond Kelly.
- Pra mim, é inaceitável ou inexplicável como você pode ter cerca de 50 tiros disparados, mas cabe à investigação descobrir o que realmente aconteceu -, afirmou o prefeito, que se disse "profundamente perturbado" com o incidente.
Bell foi morto no sábado ao sair de uma casa noturna onde celebrava sua despedida de solteiro, horas antes de seu casamento. A polícia disparou cerca de 50 tiros no carro onde o jovem negro estava com outros dois amigos. Um dos amigos de Bell, Joseph Guzman, levou 11 tiros e está em estado crítico. O outro, Trent Benefield, foi atingido por três tiros e permanece estável em um hospital da cidade.
Além do chefe da polícia nova-iorquina, líderes comunitários também participaram da reunião com Bloomberg. De acordo com o reverendo Al Sharpton, um dos mais famosos ativistas de direitos civis dos Estados Unidos, o encontro com o prefeito foi muito "franco" e "direto".
- Essa cidade precisa demonstrar revolta moral porque 50 tiros foram disparados contra três homens desarmados - , disse Sharpton.
Mais cedo, Sharpton havia criticado a polícia por ter algemado os dois sobreviventes enquanto eles recebiam tratamento no hospital. A reunião desta segunda-feira ocorreu um dia depois de uma vigília por Sean Bell com a participação de centenas de pessoas, que pediram a renúncia do chefe da polícia nova-iorquina em protesto pelo incidente.
Cinco policiais envolvidos no episódio foram retirados de ação durante a investigação sobre a morte de Bell. De acordo com o prefeito, a polícia agiu por temer que os homens estivessem armados e fossem atirar.
- Os policiais tinham razões para acreditar que um confronto com armas de fogo estava para acontecer e tentaram evitar isso -, disse Bloomberg.
A casa noturna estava sendo vigiada por causa de várias reclamações sobre a presença de armas, tráfico de drogas e prostituição no local, segundo o chefe da polícia nova-iorquina.
Em 1999, o assassinato de outro homem negro desarmado, que levou 41 tiros da polícia de Nova York, gerou uma onda de protestos na cidade.
Morte de homem negro será 'justa e completa', diz prefeito de Nova York
Segunda, 27 de Novembro de 2006 às 17:55, por: CdB