Os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM), Sibá Machado (PT-AC) e Paulo Paim (PT-RS) foram os primeiros parlamentares a se manifestarem em Plenário, nesta sexta-feira, para lamentar a morte do político Dante de Oliveira que, ao apresentar, como deputado federal, uma proposta de emenda à Constituição para a volta das eleições diretas no Brasil, deu início ao processo de redemocratização no país, que culminou com a campanha Diretas-Já!.
- O Brasil está triste, a democracia está triste - queixou-se Paim.
- Sua coragem está cravada na memória de cada brasileiro - disse Sibá Machado.
- Pranteio e sei que isso alcança o coração da Casa como um todo - afirmou Arthur Virgilio, sufocando as lágrimas.
Na presidência da sessão, Arthur Virgílio apresentou requerimento para a inserção em ata de voto de pesar e para que a mãe, esposa e irmãos do ex-governador do Mato Grosso Dante de Oliveira fossem informados da iniciativa do Senado. Na mesma sessão, o parlamentar comunicou à Casa que os senadores Antero Paes de Barros (PSDB-MT), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Jonas Pinheiro (PFL-MT) representariam a Casa no enterro do ex-governador, em Cuiabá.
- Quero me somar à iniciativa desse requerimento, que não é só sua, mas de todo o povo brasileiro. Dante de Oliveira era o símbolo do próprio processo democrático - disse Paulo Paim.
O senador gaúcho lembrou que, em 1982, acompanhou vários comícios pela realização de eleições diretas, subindo em palanques onde estavam Arthur Virgilio, Leonel Brizola, Luiz Inácio Lula da Silva, Olívio Dutra e Ulysses Guimarães.
- Eu falava como sindicalista, mas, quando se falava no nome de Dante de Oliveira, aquela massa que assistia os comícios tinha o seu momento de mais alta devoção, porque aquele era o autor da emenda das diretas. É com muito carinho e com muito respeito que quero assinar esse requerimento de solidariedade a toda a família. O Brasil perde um grande, um brilhante homem público - ressaltou.
Paim disse ainda que, com essa morte, o Brasil e a democracia perderam. Mas, "lá no céu, nesse momento, Dante está olhando para cá e dizendo que cumpriu sua tarefa e espera que a gente faça a mesma coisa, na linha de defender a liberdade, a igualdade, a solidariedade e a democracia".
Também emocionado, o senador Sibá Machado se disse colhido de surpresa pela notícia da morte. O parlamentar recomendou que o requerimento de pesar apresentado por Arthur Virgilio fosse aprovado como um documento de toda a Casa, pois disse ter certeza de que os 81 senadores teriam o orgulho de assiná-lo.
- Falo, em nome de minha bancada, que tenho a maior honra de assinar esse requerimento. O nome Dante de Oliveira simboliza uma coragem que deve ficar cravada na memória de cada um dos brasileiros e brasileiras por todas as gerações. A contribuição à cidadania e ao processo de redemocratização, aquela emenda constitucional para que o Brasil tivesse eleições diretas, tudo isso está acima de qualquer conceituação ideológica e explica o respeito que tivemos e continuaremos a ter pela memória de Dante - disse Sibá.
O Governo do Estado de Mato Grosso decretou luto oficial de três dias pela morte do ex-governador Dante Martins de Oliveira, em Cuiabá. O ex-governador, de 54 anos, morreu na noite desta quinta-feira, com infecção generalizada por causa de complicações pulmonares e diabetes. No dia 2 de março de 1983, eleito deputado federal meses antes pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) de Mato Grosso, Dante de Oliveira marcou definitivamente sua participação na história do Parlamento e do país: apresentou ao Congresso Nacional a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n° 5.