Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Morte de Adrielly completa um ano sem respostas do poder público

Após um ano da morte da menina Adrielly dos Santos, de 10 anos, o Estado, o município e a Justiça ainda não deram as respostas que a família da criança esperava. O autor do disparo que matou a criança no dia 25 de dezembro de 2012 não foi identificado; o médico que faltou ao plantão não foi julgado.

Sexta, 20 de Dezembro de 2013 às 10:28, por: CdB
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O autor do disparo que matou a criança no dia 25 de dezembro de 2012 não foi identificado
Após um ano da morte da menina Adrielly dos Santos, de 10 anos, o Estado, o município e a Justiça ainda não deram as respostas que a família da criança esperava. O autor do disparo que matou a criança no dia 25 de dezembro de 2012 não foi identificado; o médico que faltou ao plantão não foi julgado; e a Prefeitura do Rio não instalou o ponto biométrico nas unidades hospitalares, promessa feita pelo prefeito Eduardo Paes para o primeiro semestre de 2013. A vida da família de Adrielly nunca mais foi a mesma. Com a proximidade do Natal, a família já planeja passar a data fora de casa. Adrielly foi atingida por uma bala perdida na cabeça no dia 25 de dezembro e precisou aguardar oito horas por uma cirurgia no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. O neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves, que estava escalado, faltou ao plantão e foi afastado. Em julho, Adão teve a demissão publicada no Diário Oficial do Município. Ele foi indiciado por estelionato, falsidade ideológica e abandono de função. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, o processo contra o neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves está em fase de instrução. Nenhuma audiência foi realizada ainda e o julgamento não tem sequer previsão para acontecer. Por meio de nota, que os agentes da Divisão de Homicídios da Capital ainda tentam identificar o autor do disparo. Segundo a Polícia Civil. De acordo com a assessoria, por volta das 10h30 o documento era analisado pelo delegado titular da 23ª DP (Méier). O inquérito deve ser concluído nesta sexta-feira e enviado ao Ministério Público. Depois da morte da menina, o prefeito Eduardo Paes prometeu para o primeiro semestre desse ano a instalação do ponto biométrico nas unidades hospitalares do município do Rio. No entanto, a licitação para a escolha da empresa que irá implantar o mecanismo deve começar apenas em janeiro de 2014. Segundo informações do portal G1. De acordo com a prefeitura, apenas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), as Clínicas da Família, as Coordenações de Emergência Regional (CERs) e alguns Centros Municipais de Saúde já contam com a tecnologia. Secretaria Municipal de Saúde, afirma que o ponto biométrico deve estar em funcionamento em toda a rede até julho de 2014. A identificação biométrica será baseada em reconhecimento facial sobre imagens de vídeo em movimento com apuração de frequência dos servidores em tempo real. O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) abriu uma sindicância para apurar a conduta do médico. No entanto, segundo o conselho, o processo está em andamento e corre em sigilo. Enquanto isso, Adão continua podendo exercer a medicina. Para o auxiliar de serviços gerais Marco Antônio Vieira, de 37 anos, pai de Adrielly, a família entrou com uma ação na Justiça contra a Prefeitura do Rio e o Estado. A indenização, de acordo com ele, terá um único objetivo: fazer um plano de saúde para a família. “Nada vai trazer ela de volta, mas é uma indenização que eu vou usar para botar minha família numa clínica para nunca mais depender de hospital público. Esse dinheiro vai servir para nunca mais depender do [hospital] Salgado Filho e acontecer novamente o que aconteceu. Se eu tivesse um plano de saúde minha filha estaria viva, porque na hora que eu chegasse ela seria atendida”, lamentou Marco Antônio. A menina Adrielly foi baleada nas primeiras horas do dia 25, logo depois de ganhar uma boneca do "Papai Noel". Ela atravessou a rua para mostrar o presente para a mãe e caiu na calçada. “Nós achamos que ela tinha tropeçado e batido a testa no meio-fio. Mais tarde que fomos saber que ela tinha sido baleada. Estava todo mundo sentado aqui e essa bala pegou justamente a minha filha. Eu preferia ter tomado o tiro no lugar dela, mas, infelizmente, acertou ela”, disse o auxiliar de serviços gerais. Apesar de nunca ter estado frente a frente com o neurocirurgião que faltou o plantão no dia em que sua filha foi baleada, Marco espera um dia poder questioná-lo. “Sei que ainda vou encontrar com ele. Quero olhar para a cara dele e saber se ele está satisfeito com o que ele fez. Saber se ele consegue dormir. Mas tenho esperança que a Justiça vai ser feita, nem que leve até o último dia da minha vida, mas ainda vou ver ele condenado. Aí fico sossegado. E o cara que atirou também. Pode demorar o tempo que for, mas um dia ele vai ser preso”, afirmou.  
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