Morte de Adrielly completa um ano sem respostas do poder público
Após um ano da morte da menina Adrielly dos Santos, de 10 anos, o Estado, o município e a Justiça ainda não deram as respostas que a família da criança esperava. O autor do disparo que matou a criança no dia 25 de dezembro de 2012 não foi identificado; o médico que faltou ao plantão não foi julgado.
O autor do disparo que matou a criança no dia 25 de dezembro de 2012 não foi identificado
Após um ano da morte da menina Adrielly dos Santos, de 10 anos, o Estado, o município e a Justiça ainda não deram as respostas que a família da criança esperava. O autor do disparo que matou a criança no dia 25 de dezembro de 2012 não foi identificado; o médico que faltou ao plantão não foi julgado; e a Prefeitura do Rio não instalou o ponto biométrico nas unidades hospitalares, promessa feita pelo prefeito Eduardo Paes para o primeiro semestre de 2013.
A vida da família de Adrielly nunca mais foi a mesma. Com a proximidade do Natal, a família já planeja passar a data fora de casa. Adrielly foi atingida por uma bala perdida na cabeça no dia 25 de dezembro e precisou aguardar oito horas por uma cirurgia no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. O neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves, que estava escalado, faltou ao plantão e foi afastado. Em julho, Adão teve a demissão publicada no Diário Oficial do Município. Ele foi indiciado por estelionato, falsidade ideológica e abandono de função.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, o processo contra o neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves está em fase de instrução. Nenhuma audiência foi realizada ainda e o julgamento não tem sequer previsão para acontecer.
Por meio de nota, que os agentes da Divisão de Homicídios da Capital ainda tentam identificar o autor do disparo. Segundo a Polícia Civil. De acordo com a assessoria, por volta das 10h30 o documento era analisado pelo delegado titular da 23ª DP (Méier). O inquérito deve ser concluído nesta sexta-feira e enviado ao Ministério Público.
Depois da morte da menina, o prefeito Eduardo Paes prometeu para o primeiro semestre desse ano a instalação do ponto biométrico nas unidades hospitalares do município do Rio. No entanto, a licitação para a escolha da empresa que irá implantar o mecanismo deve começar apenas em janeiro de 2014. Segundo informações do portal G1. De acordo com a prefeitura, apenas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), as Clínicas da Família, as Coordenações de Emergência Regional (CERs) e alguns Centros Municipais de Saúde já contam com a tecnologia.
Secretaria Municipal de Saúde, afirma que o ponto biométrico deve estar em funcionamento em toda a rede até julho de 2014. A identificação biométrica será baseada em reconhecimento facial sobre imagens de vídeo em movimento com apuração de frequência dos servidores em tempo real.
O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) abriu uma sindicância para apurar a conduta do médico. No entanto, segundo o conselho, o processo está em andamento e corre em sigilo. Enquanto isso, Adão continua podendo exercer a medicina.
Para o auxiliar de serviços gerais Marco Antônio Vieira, de 37 anos, pai de Adrielly, a família entrou com uma ação na Justiça contra a Prefeitura do Rio e o Estado. A indenização, de acordo com ele, terá um único objetivo: fazer um plano de saúde para a família. “Nada vai trazer ela de volta, mas é uma indenização que eu vou usar para botar minha família numa clínica para nunca mais depender de hospital público. Esse dinheiro vai servir para nunca mais depender do [hospital] Salgado Filho e acontecer novamente o que aconteceu. Se eu tivesse um plano de saúde minha filha estaria viva, porque na hora que eu chegasse ela seria atendida”, lamentou Marco Antônio.
A menina Adrielly foi baleada nas primeiras horas do dia 25, logo depois de ganhar uma boneca do "Papai Noel". Ela atravessou a rua para mostrar o presente para a mãe e caiu na calçada. “Nós achamos que ela tinha tropeçado e batido a testa no meio-fio. Mais tarde que fomos saber que ela tinha sido baleada. Estava todo mundo sentado aqui e essa bala pegou justamente a minha filha. Eu preferia ter tomado o tiro no lugar dela, mas, infelizmente, acertou ela”, disse o auxiliar de serviços gerais.
Apesar de nunca ter estado frente a frente com o neurocirurgião que faltou o plantão no dia em que sua filha foi baleada, Marco espera um dia poder questioná-lo. “Sei que ainda vou encontrar com ele. Quero olhar para a cara dele e saber se ele está satisfeito com o que ele fez. Saber se ele consegue dormir. Mas tenho esperança que a Justiça vai ser feita, nem que leve até o último dia da minha vida, mas ainda vou ver ele condenado. Aí fico sossegado. E o cara que atirou também. Pode demorar o tempo que for, mas um dia ele vai ser preso”, afirmou.
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