Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Morte de 90 crianças em incêndio provoca indignação na Índia

Sábado, 17 de Julho de 2004 às 06:47, por: CdB

A morte de 90 crianças no incêndio de uma escola do Estado indiano de Tamil Nadu indignou todo o país, ao serem difundidos neste sábado dados que indicam que a tragédia pode ser fruto da negligência da direção desse centro escolar.

Cinco pessoas foram detidas, entre elas o diretor do colégio "Lord Krishna", Pulavar Palanichamy, segundo J.Radhakrishnan, funcionário da administração do distrito de Thanjavur, no qual se encontra a cidade de Kumbakonam, onde nesta sexta-feira aconteceu o incêndio.

Outro membro da direção, dois cozinheiros e um supervisor das cozinhas também foram detidos, acrescentou J.Radhakrishnan.

Fontes da polícia em Madrás, capital de Tamil Nadu, disseram à EFE por telefone que os detidos poderiam ser acusados de "negligência com resultado de morte" após o fim das investigações.

Os bombeiros do distrito asseguraram que nenhum dos professores do colégio morreu, embora alguns meios de comunicação tenha informado que dois deles tinham falecido ao tentar resgatar as crianças.

Durante toda a noite, grupos de pessoas permaneceram nos arredores da escola, no velho bairro de Palakrai de Kumbakonam, indignados pela "fuga dos professores, que deixaram para tras as crianças, quase todas com idades entre 6 e 8 anos", segundo reiteraram diversas vezes as emissoras de televisão.

No hospital da comarca onde se concentraram os pais das crianças falecidas, as cenas são ainda de angústia e histeria, com muitas das mães estiradas no chão, chorando e gritando.

- Quando cheguei, a escola estava em chamas e ninguém sabia o que tinha acontecido. Minha filha tinha ido muito bonita ao colégio, com flores no cabelo, e agora já não está viva - declarava uma mulher soluçando ante as câmeras.

Radhakrishnan confirmou que o número de mortos já chega a 90 -quase todos eles menores de 10 anos-, e disse que um dos últimos falecidos foi uma pessoa que sofreu graves feridas e queimaduras ao tentar resgatar as crianças.
Depois das dificuldades iniciais, devido ao fato de que a maioria dos corpos ficaram carbonizados, já foram identificados 89 dos 90 mortos, dos quais 60 foram cremados sexta-feira à noite e outros 17 nesta manhã, de acordo com os costumes religiosos locais, acrescentou Radhakrishnan.

O responsável pela administração local acrescentou que ainda há 17 crianças com feridas e queimaduras muito graves hospitalizadas, algumas delas "lutando por sua vida" em estado crítico, motivo pelo qual se teme que o número de vítimas mortais ainda possa aumentar.

Por sua vez, a chefa do governo regional de Tamil Nadu, J. Jayalalithaa, depois de fazer uma visita aos feridos mais graves, disse que "a licença da escola foi cancelada", já que os primeiros indícios indicam que a instituição não cumpria os requisitos de segurança para funcionar.

Segundo os meios de comunicação locais, o colégio, que tinha matriculados mais de 900 alunos, dos quais 870 estavam no edifício no momento do incêndio, fica em uma área de ruas estreitas, de difícil acesso para os serviços de emergência.

O edifício, de três andares, tinha um teto de canas e palha, muito inflamável, que não cumpria os requisitos legais, segundo os bombeiros, e além disso, saídas muito estreitas, insuficientes para uma rápida evacuação.

Segundo disse na sexta-feira a agência indiana PTI, que citava um comando dos bombeiros, a prática habitual no colégio de fechar as portas com um ferrolho depois da entrada dos alunos contribuiu para agravar a tragédia.
As janelas e portas estavam fechadas e, ao se queimar o teto, "as vítimas ficaram encerradas em uma caldeira", agregava a PTI.

Um dos bombeiros, perturbado pela dantesca situação que encontrou ao entrar depois de duas horas de trabalho para sufocar as chamas, disse à PTI que "a avareza das autoridades da escola, que tinham colocado classes suplementares para ganhar mais dinheiro, sem ter as permissões ofic

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