Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Morte de 43 pessoas em combates na Ucrânia eleva risco de guerra civil

Sábado, 03 de Maio de 2014 às 11:37, por: CdB
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Ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Tuomioja desaconselha novas sanções à Rússia
Um total, até agora, de 43 pessoas morreu neste sábado durante os combates entre as forças de libertação da Ucrânia, que querem a anexação do território à Rússia, e aqueles que apoiam o governo de facto, imposto após um golpe de Estado com a participação das hostes neonazistas que ganham cada vez mais espaço no país. A luta chegou ao sul da Ucrânia, com os manifestantes pró-Rússia presos em um edifício em chamas, cercado por militares ucranianos. A guerra civil parece mais próxima agora. No leste, rebeldes pró-Rússia libertaram sete observadores militares europeus neste sábado, após mantê-los como reféns por oito dias, enquanto Kiev continuou com campanha militar para retomar território detido por rebeldes na área. O tumulto no porto de Odessa no Mar Negro, que acabou em incêndio em edifício sindical, foi de longe o pior incidente na Ucrânia desde levante em fevereiro que terminou com o presidente pró-Russo fugindo do país. Os últimos confrontos também se espalham do centro da zona separatista no leste para uma área mais distante da fronteira russa, o que aumenta a possibilidade de mais turbulências no país de 45 milhões de habitantes, do tamanho da França. O massacre em Odessa veio no mesmo dia do maior esforço até agora do governo de Kiev para reassegurar o controle sobre áreas separatistas no leste, a centenas de quilômetros de distância, onde rebeldes pró-Rússia fortemente armados proclamaram a "República Popular de Donetsk". No início desta noite, no horário local, o chanceler russo, Serguei Lavrov, conclamou os Estados Unidos, em uma conversa telefônica com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, a forçar as autoridades ucranianas para que suspendam fogo Sudeste do país. "Lavrov sublinhou que a operação punitiva no Sudeste da Ucrânia mergulha o país em conflito fratricida", afirma o Ministério das Relações Exteriores russo, em nota divulgada há pouco. Lavrov também discutiu a situação na Ucrânia com o presidente atual da OSCE, Didier Burkhalter, mostrou a urgência em se utilizar o potencial da OSCE para convencer Kiev a cancelar uma operação militar contra a população de língua russa. "As partes condenaram a expansão da violência na Ucrânia, especialmente as ações de radicais em Odessa", disse o departamento. Lavrov e Burkhalter também confirmaram a necessidade da plena implementação da Declaração de Genebra de 17 de abril, começando da cessação imediata da violência. Risco iminente Para o ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Erkki Tuomioja, a situação na Ucrânia "tornou-se incontrolável", e as novas sanções contra a Rússia "não a resolverão", relata a emissora pública da Finlândia YLE. Para o ministro Tuomioja, diante do risco iminente de uma guerra civil de grandes proporções, os confrontos em Odessa provaram que, na Ucrânia, operam as forças que não obedecem nem a Moscou, nem a Kiev. O ministro expressou a esperança de que, apesar da situação em Odessa, a Rússia abstenha-se de uma ação militar na Ucrânia e tente resolver a situação de forma pacífica. – Mesmo se a Rússia tiver uma opinião diferente, podíamos avançar (nas negociações) com base nos acordos de Genebra. Agora, é necessário iniciar um diálogo nacional, que também foi discutido em Genebra – disse o ministro, ressaltando que as novas sanções contra a Rússia não resolverão a situação. Segundo ele, o objetivo prioritário é evitar maior derramamento de sangue. Quanto às sanções, a Rússia adianta que tomará medidas "simétricas" em resposta às sanções ocidentais, segundo a presidenta do Conselho da Federação, Valentina Matvienko. As sanções do Ocidente não terão um grande impacto sobre a economia russa, previu. Matvienko agradeceu ao Ocidente, dizendo que com tais ações "consolida cada vez mais a sociedade russa". A parlamentar acrescentou que as sanções facilitarão uma diversificação da economia nacional, permitindo inclusive aumentar a produção de produtos de alta tecnologia e uma proximidade maior com os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Na terça-feira, a União Europeia publicou os nomes de mais 15 pessoas, às quais se estendem as sanções da UE. Um dia antes, os EUA incluíram na "lista negra" 17 empresas e 7 cidadãos russos. Sem legitimidade A dissolução da Ucrânia em uma guerra civil que se avizinha, segundo o perito do Centro Europeu de Estudos Geopolíticos Konrad Renkas, deve-se basicamente à falta de legitimidade do auto-proclamado governo ucraniano e sobre os métodos através dos quais Arseni Yatsenyuk e os seus ministros chegaram ao poder. – Pode-se afirmar que se trata de duas faces de uma moeda. Primeiro, nenhum dos políticos europeus teve dúvidas de que a forma de tomada do poder pelo senhor Yatsenyuk é exclusivamente revolucionária. Ao mesmo tempo, constatou-se que o poder de Yatsenyuk nem sequer abrange toda a praça da Independência (Maidan). Por isso, o estatuto revolucionário das novas autoridades não só não se reforçou, como conduziu à desestabilização de toda a Ucrânia – disse a jornalistas. Do ponto de vista da ciência política, é preciso ter em conta três pontos fundamentais para falar-se da legitimidade de qualquer poder. Primeiro, a legitimidade da chegada ao poder. No caso da Ucrânia, deparamos com um quadro absolutamente contrário. Segundo, o governo deve ser reconhecido tanto no país, como pela comunidade internacional. Mas a equipe de Yatsenyuk nem sequer foi reconhecida por grande parte da população ucraniana. O terceiro ponto é o controle e a gestão de todo o território do país, o que não vemos no caso de Donbass e Odessa. Nesta situação, é difícil considerar o governo de Kiev legítimo e capaz de garantir a estabilização política e econômica do país. Embora, de fato, ele possa ser considerado uma forma de poder, o chamado governo de transição durante as discussões e conversações políticas a alto nível em Genebra. – Sem dúvida que o novo governo da Ucrânia não é completamente legítimo. Porém, somente poderá se tornar se chegar a conversações bem sucedidas, antes de tudo com os cidadãos da própria Ucrânia e das suas regiões orientais. Somente neste caso poderemos falar na instauração de um poder legítimo e da realização de eleições presidenciais legais a 25 de maio. Toda esta situação em torno da crise ucraniana tem um caráter mais propagandista do que político-diplomático. Não é segredo para ninguém, por exemplo, que as principais forças políticas da Polônia utilizam a Rússia, através do incentivo da histeria militar na mídia, para amedrontar os seus próprios eleitores e manipular a opinião pública nas vésperas das eleições para o Parlamento Europeu – repara. Ainda segundo Renkas, pode-se pegar como exemplo, a cobertura informativa da situação nas regiões orientais da Ucrânia. A acreditar na imprensa polaca, a população está completamente satisfeita com a política realizada pelas novas autoridades em Kiev. Porém, basta ir pessoalmente a Donbass ou ler alguns mídias ocidentais e constatar que se passa exatamente o contrário na Ucrânia Oriental".
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