Rio de Janeiro, 21 de Maio de 2026

Mortandade de peixes no Pará

Terça, 08 de Abril de 2003 às 10:36, por: CdB

Autoridades ambientais do Pará ainda não têm explicação para a mortandade de peixes que começou na última sexta-feira no rio Murucupi, em Vila do Conde, município de Barcarena, onde estão localizadas as indústrias Alumínio do Norte (Alunorte) e Alumínio do Brasil (Albrás). O desastre coincidiu com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à região onde ficam as indústrias de transformação de alumina e alumínio. Na ocasião, Lula ouviu do diretor-presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, que as empresas implantadas em Barcarena estão entre as cinco melhores do mundo, em questões ambientais. Ao receber a denúncia, a Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam) enviou para o local, a 40 quilômetros de Belém, uma equipe técnica para investigar as causas do desastre. O secretário de Meio Ambiente, Gabriel Guerreiro, disse que as informações são de que há uma mancha negra sobre o rio, que poderia ser resultado de vazamentos de reservatórios que armazenam rejeitos de bauxita, hipótese em que ele não acredita. Outra possibilidade levantada por Guerreiro é que a poluição no Murucupi pode ter sido causada por resíduo de esgoto urbano, mas o secretário diz que somente o laudo técnico das equipes que investigam o local poderá apontar a causa da possível contaminação. "Seja qual for a causa, se houver contaminação do rio não podemos perder tempo para apurar as responsabilidades", disse. Segundo informações do pescador Edval Moraes da Silva, estão morrendo tucunarés de quase três quilos, carás tinga e outras espécies. Alguns moradores da área dizem que a água do rio, antes cristalina, vem ganhando coloração avermelhada. Na cabeceira do rio estão localizados os esgotos da Vila dos Cabanos e da fábrica de alumínio Alunorte. Há também um lixão a céu aberto que recebe os rejeitos domésticos da cidade. Num levantamento preliminar, realizado ontem pelo professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Marconi Magalhães, PhD em meio ambiente, foram constatados 300 exemplares de peixes mortos até o rio Arrozal. Marconi disse que provavelmente os peixes da superfície foram "surpreendidos pelo fenômeno que esgotou o oxigênio da água".

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