Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Morta com 17 tiros em Washington, mulher sofria de depressão pós-parto

Sábado, 05 de Outubro de 2013 às 09:18, por: CdB
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Carey morreu com o corpo crivado de balas, em Washington
A mulher que se envolveu em uma perseguição e terminou morta em Washington, na quinta-feira, sofria de depressão pós-parto, segundo a mãe dela declarou à polícia, neste sábado. Miriam Carey, de 34, morava em Stamford, no Estado norte-americano de Connecticut. Ela dirigia um carro e ultrapassou uma barreira próxima à Casa Branca. Após forçar passagem, segundo a agência norte-americana de notícias Associated Press (AP), os policiais abriram fogo contra o veículo e acertaram 17 tiros em Carey. A mãe da vítima, Idella Carey, disse ao canal norte-americano de TV ABC News que sua filha deu a luz em agosto do ano passado e sofria do mal pós-parto há alguns meses. Carey havia perdido o emprego no consultório de um dentista há cerca de um ano e, segundo o ex-patrão, Brian Evans, sofrera um traumatismo craniano devido a uma queda. Editor do site Diário do Centro do Mundo, o jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, comentou o fato. Leia, a seguir, o artigo: Gostei muito de Breaking Bad por mostrar os Estados Unidos como eles são: o professor de química que não tem a menor condição de pagar um tratamento de câncer e acaba virando traficante. Uma história que li hoje me remeteu ao pesadelo (norte-)americano. E me comoveu. Uma mulher de 34 anos, Mirian Carey, profissional da área de higiene dental, tentou entrar com seu carro numa área proibida da Casa Branca. Segundo relato de sua mãe, Mirian sofria de depressão pós-parto. Sua filha de um ano estava com ela no carro. A polícia tentou deter Mirian, mas ela não saiu do carro. Deu marcha à ré e arrancou. Câmaras de transeuntes captaram a perseguição, e a história é o assunto do dia entre os americanos. Quando o carro finalmente parou, Mirian recebeu uma saraivada de tiros de vários policiais. Ficou desfigurada, o que dificultou a identificação. Estava desarmada. Por milagre, sua filha escapou incólume. Quer dizer, tanto quanto é possível você escapar incólume quando tem um ano e vê sua mãe ser fuzilada. O que Mirian estava fazendo na Casa Branca? De acordo com versões de gente próxima a ela, Mirian imaginava que Obama estava se comunicando de alguma forma com ela. É possível que o aparente delírio fosse consequência dos remédios fortes que ela tomava para lidar com a depressão. O que mais me doeu foi ver as circunstâncias de sua maternidade traumática. Mirian trabalhava numa clínica odontológica quando levou um tombo que a levou a um hospital. Ali, ficou sabendo que estava grávida. Era solteira. Poucas semanas depois de retornar ao trabalho, foi mandada embora. Grávida. Solteira. Desempregada. Não é fácil manter a sanidade mental em tais circunstâncias. A proteção às grávidas nos Estados Unidos é zero. Numa frase frequentemente citada de um comediante, os Estados Unidos não dão educação pública de qualidade para suas crianças e nem saúde gratuita decente para seus velhos, mas são muito bons em atirar bombas em outros países. Bem, também não dão muita coisa a grávidas como Mirian. O que ela recebeu mesmo, no fim, foram 17 tiros.
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