O artista plástico cearense Aldemir Martins, popularizado pelas pinturas de gatos, morreu no domingo, em São Paulo, aos 83 anos. Segundo o genro de Martins, Baixo Ribeiro, o artista sofreu um infarto em sua casa, no bairro do Ibirapuera, por volta das 19h30 do domingo. Ele morreu no Hospital São Luiz.
- Foi uma morte quase natural, de insuficiência cardíaca. Ele estava muito velhinho já e tinha sido internado várias vezes no ano passado. A parte física estava bem comprometida, com insuficiência renal, do fígado e uma arritmia bem séria do coração - disse Ribeiro
.
O corpo será velado na Assembléia Legislativa do Estado até às 14h30 desta segunda-feira, e o enterro deve acontecer pela tarde, às 15h30, no cemitério Campo Grande, zona sul da cidade. Apesar de conhecido pelo grande público pelas pinturas de gatos, o artista trabalhou em várias vertentes, representando paisagens e personagens nordestinos, como os cangaceiros e as baianas, além de retratos e naturezas mortas.
Além da pintura, também trabalhou com cenografia, desenhos de moda, joalheria, artes gráficas e tapeçaria. Sua última mostra individual, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), aconteceu em julho do ano passado, reunindo sete décadas de produção.
Filho de índia e de um funcionário público, Martins nasceu em Ingazeiras, interior do Ceará. Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro e, um ano depois, para São Paulo.Nas três primeiras Bienais de Arte de São Paulo (1951, 1953 e 1955) foi agraciado com prêmios especiais. Em 1956, na Bienal de Veneza, venceu o prêmio de melhor desenhista.
Segundo o vendedor Sergio Peres, da galeria Nova André, seus clientes procuravam o trabalho de Martins "pela alegria, pelas cores e pelos temas agradáveis". Suas pinturas atuais valem entre 8 mil e 30 mil reais.
- Os gatos tiveram uma maior aceitação do público, mas não da crítica de arte. Como crítica, seus melhores trabalhos são outros, são os cangaceiros, os temas nordestinos, os galos - disse Peres.