O desempregado José Antonio Andrade de Souza, que na última terça-feira ateou fogo ao próprio corpo em frente ao Palácio do Planalto, morreu no final da tarde deste domingo no Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília.
Ele veio de Cariacica (ES), na região metropolitana de Vitória, e passou dois dias na Praça dos Três Poderes carregando dois cartazes com os dizeres: "Senhor presidente, vendi meu barraquinho para vir falar com o senhor".
Ele disse, logo após ser socorrido, que havia tentado se matar por não conseguir ser recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para atear fogo às vestes, ele usou uma garrafa de álcool líquido para incendiar o corpo. Sofreu queimaduras de até terceiro grau e teve 85% do corpo queimado.
A mulher de Souza, Maria das Dores Cláudia Souza, 25, grávida de quatro meses, estava em Brasília desde quinta. De acordo com a assessoria da deputada Iriny Lopes (PT-ES), que presta assistência à família, Maria das Dores foi levada a um abrigo e retornou para Cariacica nesta segunda-feira.
O suicida enfrentava problemas psicológicos e tentou se matar - enforcando-se em um abacateiro - no dia 26 de março, segundo relatos da família. Sua filha, Camila, de 8 anos, teria visto a cena e o impedido.
A sogra, Tercília Soares Constantino, contou que, na sexta-feira retrasada, Souza vendeu a casa de quatro cômodos e alguns móveis por R$ 800, deixou R$ 200 com a mulher e depois revelou que ia a Brasília tentar falar com o presidente.