A ativista dos direitos humanos Coretta Scott King, que se destacou na luta pela igualdade racial depois do assassinato do marido dela, Martin Luther King Jr., em 1968, morreu aos 78 anos de idade, nesta terça-feira. Ela havia sofrido um derrame e um ataque cardíaco em agosto passado e foi vista em público pela última vez no dia 14 de janeiro, em um jantar em homenagem ao marido. A determinação implacável, o encanto e a classe da senhora King valeram-lhe milhares de admiradores dentro e fora do movimento de defesa dos direitos civis.
O deputado John Lewis, um congressista do Partido Democrata e um líder da luta pelos direitos civis, afirmou que este era "um momento muito triste".
- Muito tempo antes de ela conhecer o doutor King e se casar com ele, ela era uma ativista da paz, dos direitos civis e das liberdades civis. Ela passou a incorporar, a personificar (o movimento de luta pelos direitos civis após a morte do doutor King), preservando a missão, a mensagem, a filosofia da não-violência na frente de batalha - afirmou o congressista à rede de TV CNN.
Na Casa Branca (sede do governo dos EUA), Dan Barlett, um assessor do presidente George W. Bush, disse ao canal de TV Fox: "O presidente Bush e a primeira-dama Laura Bush sempre ficaram emocionados em seus encontros com a senhora King. Que inspiração para milhões de pessoas. O presidente e a senhora Bush ficaram profundamente tristes com a notícia de hoje."
Frente de batalha
Coretta Scott King desempenhou um importante papel de apoio ao movimento dos direitos civis até a morte do marido dela, assassinado na sacada de um motel de Memphis, no dia 4 de abril de 1968, quando prestava auxílio a uma greve de funcionários da área de saúde. A senhora King, que estava em Atlanta quando ocorreu o assassinato, soube da morte do marido por meio de um telefonema do reverendo Jesse Jackson.
Como conta em sua autobiografia, "My Life With Martin Luther King Jr." (minha vida com Martin Luther King Jr.), ela sentiu pouco depois que deveria participar mais ativamente do movimento de defesa dos direitos civis.
- Já que a missão dele não havia terminado, senti que eu precisava me dedicar à finalização da obra dele - afirmou.
Determinada a impedir que os norte-americanos esquecessem o marido dela ou os sonhos dele sobre uma sociedade igualitária, a senhora King criou um memorial e um fórum no Centro Martin Luther King Jr. para as Mudanças Sociais Não-Violentas, em Atlanta. O centro possui um arquivo com mais de 2.000 discursos de King e foi construído em redor da cripta do ativista e da chama eterna que queima ali.