O ex-presidente do México José López Portillo, famoso por ter jurado defender o peso como um ''cão'' antes de desvalorizá-lo, morreu na terça-feira devido a complicações resultantes de uma pneumonia.
López Portillo, 83, ocupou a cadeira presidencial de 1976 a 1982, durante um governo caracterizado pelo nepotismo e pela corrupção.
O ex-presidente, um político de carreira, morreu ao lado de cerca de 50 parentes e amigos próximos.
``Ele morreu em paz, ao lado da família e com a consciência tranquila'', afirmou José Ramón López Portillo, filho dele.
López Portillo nunca respondeu judicialmente pelas centenas de mortes e desaparecimentos de esquerdistas mexicanos durante a ``guerra suja'' do país. Grupos de defesa dos direitos humanos responsabilizam a ele e ao ex-presidente Luis Echeverría (1970-76) pelos abusos.
``Não tenho uma saúde perfeita. Talvez esteja pagando por meus pecados'', disse o ex-presidente em 2001, quando se submeteu a uma cirurgia cardíaca nos EUA.
No começo dos anos 1980, época em que a economia do país afundou devido à queda do preço do petróleo, López Portillo prometeu defender o peso como um ``cão''. No entanto, em 1982, o desvalorizou em 41,7 por cento.
Em uma de suas medidas mais controvertidas, o ex-dirigente surpreendeu a comunidade financeira ao nacionalizar o setor bancário. Ele deixou o palácio presidencial sob fortes críticas e entregou o poder para Miguel de la Madrid em meio a uma séria crise econômica.
López Portillo, nascido em 16 de junho de 1920, ingressou no Partido Revolucionário Institucional (PRI) em 1945 e galgou postos até conquistar a direção do país.