Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Morgan Freeman fala do perigo da pirataria à indústria do cinema

Quinta, 19 de Maio de 2005 às 14:00, por: CdB

O ator de Hollywood Morgan Freeman avisou o setor cinematográfico que, com a expansão das conexões Internet de alta velocidade, existe o risco de a pirataria atingir o setor tão duramente quanto fez com a indústria da música.

Freeman está dizendo aos produtores de cinema que precisam agir com inteligência para manter-se à frente das pessoas que fazem downloads ilegais e compartilham arquivos ilegalmente e que estão utilizando novos softwares e conexões velozes de banda larga.

A empresa do ator, a Revelations Entertainment, e a fabricante de chips Intel Corporation montaram uma "casa digital virtual" numa suíte de hotel em Cannes para mostrar aos poderosos do cinema que estão na cidade para acompanhar a edição anual do Festival de Cinema de Cannes qual é o potencial da nova tecnologia.

A possibilidade de fazer downloads de filmes para um PC e exibi-los em salas diferentes através de um sistema integrado é um dos muitos benefícios que as novas tecnologias digitais podem proporcionar. O lado negativo disso é que a partilha de arquivos pode custar caro aos estúdios e atores no futuro.

- Uma das coisas relativas ao conteúdo digital que metem medo na indústria do cinema é que, uma vez que isso chegar às casas dos consumidores, o que vai acontecer? - disse Freeman à Reuters em entrevista.

- Algumas agências governamentais dizem que, se está na Internet e está acessível, como podemos chamá-lo de pirataria?

Kevin Corbett, da Intel, disse, com o uso do sistema de chave eletrônica, os filmes não poderiam ser usados por usuários não autorizados. Mas o sistema ofereceria ao usuário não autorizado a chance de pagar pelo filme e assistir a ele legalmente.

- Essa tecnologia pode nos ajudar a evitar o mesmo caos (que atingiu a indústria da música) - comentou Morgan Freeman.

- Mas, quando o público já está alguns passos à sua frente e você já está brincando de tentar pegá-lo, então é tarde demais.

Citando o exemplo da Suécia, onde, falou, a partilha ilegal de arquivos no sistema peer-to-peer é um problema crescente, Freeman avisou que a expansão da banda larga vai dificultar a vida do setor cinematográfico.

Ele acredita que empresas independentes e menores vão desenvolver tecnologias para proteger os novos filmes, enquanto os estúdios maiores parecem estar relativamente pouco preocupados com a possibilidade de seus acervos de filmes serem partilhados, embora não queiram que isso aconteça com seus lançamentos.

Freeman lembrou como o setor musical falhou ao não adaptar-se às redes peer-to-peer que permitiram aos usuários trocar e partilhar arquivos musicais em MP3. O setor estima que a pirataria lhe custou centenas de milhões de dólares em receita perdida nos últimos anos.

Embora um filme exija um arquivo muito maior, a banda larga e os programas cada vez mais usados de partilha de arquivos, como o BitTorrent, estão tornando mais fácil para os internautas lidar com esse tipo de informação.

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