Rio de Janeiro, 01 de Janeiro de 2026

Moreira Franco é flagrado em ligações perigosas com Aécio Neves

Moreira Franco, diante da crise que atingiu o presidente de facto, Michel Temer, tem agido com desenvoltura junto à mídia conservadora e conseguiu que Temer falasse, com exclusividade, para redes de TV, jornais e agências de notícias

Sábado, 03 de Junho de 2017 às 13:24, por: CdB

Moreira Franco, diante da crise que atingiu o presidente de facto, Michel Temer, tem agido com desenvoltura junto à mídia conservadora

 

Por Redação - de Brasília

 

Citado em delações premiadas na Operação Lava Jato e alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador fluminense Moreira Franco passa a figurar em mais uma denúncia nos processos a que responde por improbidade administrativa, corrupção passiva, ativa e formação de quadrilha.

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Moreira Franco foi ministro da presidenta Dilma Rousseff

Moreira Franco, diante da crise que atingiu o presidente de facto, Michel Temer, tem agido com desenvoltura junto à mídia conservadora. Tenta impor uma contenção aos danos provocados ao governo imposto por um golpe de Estado, em curso. Suspeito de uma série de crimes contra o patrimônio brasileiro, no entanto, o atual chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República teve ligações grampeadas, por ordem judicial.

Em uma dessas conversas ao telefone, com o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), Moreira Franco e um executivo da TV Record, ele trata de um possível suborno à emissora para que transmitisse uma entrevista com Temer. A contrapartida seria o atendimento de demandas dos concessionários de canais públicos e abertos junto à Caixa Econômica Federal.

Moreira Franco
e o bispo Macedo

A conversa entre Aécio e Douglas Tavolaro, sobrinho do bispo Edir Macedo e vice-presidente de jornalismo do grupo, fala em "juntar tudo num pacote”. O executivo reclamava junto ao senador mineiro acerca de dificuldades para liberar um pacote de benefícios junto à CEF.

“Em outra conversa, citando o conhecimento do presidente Temer do pedido da Record, Aécio cobrou o ministro Moreira Franco para ‘entrar no circuito com o cara da Caixa’ e este disse que já tinha encaminhado a demanda da emissora”, afirma o texto publicado na rede digital de notícias BuzzFeed, na véspera.

Leia, adiante, os principais trechos da reportagem:

“Tratava-se de um pedido de patrocínio da Record à Caixa - que foi negado pela área técnica do banco. Segundo a Caixa, foi o próprio Moreira Franco quem encaminhou o pedido da emissora. A entrevista da Record com Temer não foi realizada.

“Em mais de um momento, durante um telefonema, Aécio e Moreira Franco dão a entender que há o aval de Temer. Em todos os diálogos, o telefone grampeado é o do senador Aécio Neves. Os grampos foram realizados na noite de 19 abril.

“Naquele mês, Temer realizou um périplo de entrevistas à imprensa - estratégia que é elogiada pelo executivo da Record. O presidente, por exemplo, deu entrevistas exclusivas à TV Bandeirantes, duas ao SBT (uma delas ao apresentador Ratinho), além de rádios e agência de notícias. Na semana anterior, a delação da Odebrecht havia sido divulgada e colocado Temer em mais uma crise política.

'Alguma coisa'

“Enquanto o Planalto montava um plano de entrevistas, Aécio Neves estava sendo grampeado pela Polícia Federal, em razão de ter sido flagrado em áudio pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS.

“É nesse contexto que acontecem as conversas. São três diálogos num espaço de poucos minutos. Em resumo, Aécio e Douglas tratam de uma entrevista com Temer e o executivo pede ao senador para falar com Moreira Franco. Minutos depois, o tucano fala com ministro.

“Fica claro qual era a demanda da Record: um "assunto paralelo" na Caixa. Aécio usou a seguinte expressão ao pedir a Moreira Franco: 'Entrar no circuito com o cara da Caixa'.

“O tucano ainda avisa: 'É aquelas coisas que não precisa falar por telefone'. Por fim, Aécio retorna a ligação a Douglas e pede para ele procurar Moreira Franco.

“Tudo aconteceu num período de dez minutos. Primeiro, às 19h57. Era 19 de abril, uma quarta-feira. O executivo da Record Douglas Tavolaro relata a Aécio que estava recebendo ligações do ministro Moreira Franco.

“O executivo diz que, de propósito, não iria atender ao telefonema, porque imaginava que seria um pedido de entrevista - e a resposta seria negativa.

"Só tem um jeito de sair. Se tiver uma coisa, entendeu?’, diz o executivo a Aécio.

Investigado

Na véspera, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por corrupção passiva e obstrução de justiça. Outros três investigados no mesmo inquérito foram acusados de corrupção passiva.


São eles: Andrea Neves, irmã do senador; Frederico Pacheco, primo deles; e Mendherson Souza Lima. Este último era o assessor parlamentar apontado como operador de Aécio. Os três seguem presos. Janot também pediu para o STF abrir outro inquérito contra Aécio, para investigar lavagem de dinheiro e não descarta pedir a prisão do parlamentar, caso tenha o mandato cassado.

A denúncia foi feita com base nas investigações da Operação Patmos, deflagrada após delação premiada dos executivos da JBS.

A PGR já havia pedido a prisão de Aécio e dos outros três investigados, todos citados na delação. Embora não tenha sido preso, o tucano foi afastado das atividades parlamentares e da Presidência Nacional do PSDB.

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