O dinheiro dos impostos pagos pelos contribuintes brasileiros arca com o salário do mordomo que trabalha na casa da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB-MA). Filha do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a primogênita do clã maranhense e ex-senadora mantém Amaury de Jesus Machado, de 51 anos, conhecido como Secreta, como chefe da criadagem na mansão de sua propriedade, no Lago Sul, há seis anos.
Secreta, funcionário efetivo do Senado, ganha, com as gratificações acumuladas, em torno de R$ 12 mil. Segundo matéria publicada na edição deste sábado do diário paulistano Estado de São Paulo, "deveria trabalhar no Congresso, mas de 2003 para cá dá expediente a sete quilômetros dali", na residência que Roseana mantém no Lago Sul de Brasília.
Secreta, ainda segundo a reportagem, "é uma espécie de faz-tudo, quase um agregado da família. Cuida dos serviços de copa e cozinha, distribui ordens aos funcionários e organiza as recepções que Roseana promove quando está na cidade".
A reportagem falou com outros funcionários da casa e amigos da família. Todos confirmaram a mansão de Roseana como local de trabalho do mordomo, mas coube à própria governadora resumir sua relação trabalhista com o Secreta:
– Ele é meu afilhado. Fui eu que o trouxe do Maranhão. Ele vai à casa quando preciso, uma duas ou três vezes por semana. É motorista noturno e é do Senado. E lá até ganha bem – disse aos jornalistas.
Decreto
O decreto de nomeação do mordomo da família Sarney está entre os atos 'secretos' editados de forma a esconder eventuais irregularidades. Na véspera, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidiu criar uma comissão de sindicância para apurar as responsabilidades sobre a prática e evitou demissões imediatas de servidores envolvidos no episódio.
– Com o resultado da sindicância, teremos inquérito administrativo para punir os culpados – afirmou o senador em entrevista coletiva.
Sarney justificou que não tomará medidas precipitadas contra funcionários em respeito ao estado de direito. A comissão será acompanhada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União. Os atos administrativos secretos chegariam a 658, segundo uma fonte da presidência o Senado, e tiveram início em 1995, na primeira gestão de Sarney como presidente da Casa.
Ainda segundo a reportagem, Secreta é tão ligado a Roseana que chegou a ter filiação partidária. Assinou a ficha do PFL quando a governadora ainda integrava os quadros do partido. Hoje, ela está no PMDB, mesma sigla do pai. "Nos anos 90, ele esteve lotado no departamento de segurança e transportes do Senado. Antigos colegas dizem que sua função, ao menos oficialmente, era a de motorista, embora não se lembrem dele dirigindo os carros do Senado. O servidor tem um longo histórico de serviços prestados à família - trabalhou até no Palácio da Alvorada quando Sarney era presidente (1985-1990)", afirma o texto.
"A lotação mais recente data de fevereiro de 2003. Logo após tomar posse como senadora, em 2003, Roseana Sarney puxou Machado para seu gabinete. O ato foi assinado pelo então diretor-geral da Casa, Agaciel Maia, em 21 de fevereiro. Ocupante do cargo de técnico legislativo, ganhou função comissionada. Como Roseana deixou o Senado em abril deste ano, muitos dos nomeados para assessorá-la foram mantidos oficialmente como assessores do senador Mauro Fecury (PMDB-MA), que assumiu a cadeira da peemedebista", conclui.