Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Morales se reúne com Lula e Cristina para negociar redistribuição de gás

Sábado, 23 de Fevereiro de 2008 às 11:05, por: CdB

Em entrevista publicada neste sábado pelo jornal argentino Clarín, o presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que é necessário redistribuir o gás natural exportado para o Brasil e a Argentina para atender à crescente demanda destes países, tendo em vista a proximidade do inverno.

"Devemos nos ajudar e nos complementar", disse Morales antes de se reunir em Buenos Aires com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chefe de Estado argentina, Cristina Kirchner.

O objetivo do encontro é tentar solucionar de forma pactuada a redistribuição do gás boliviano.
Lula, que iniciou nesta sexta-feira sua primeira visita oficial do ano à Argentina, se reuniu com Cristina, com quem assinou um pacote de acordos de cooperação em energia, armamentos e transportes.

Os dois trocaram elogios, mas evitaram comentar abertamente em público suas divergências sobre o tema do gás boliviano. Lula insistiu em impulsionar a integração com a Argentina e mostrou disposição para resolver as diferenças.

Os três presidentes se encontrarão hoje na Quinta das Oliveiras, nas imediações de Buenos Aires, por iniciativa de Morales, que reconheceu que não pode atender aos compromissos energéticos assumidos com Brasil e Argentina.

Morales também pediu "compreensão das empresas para apoiarem (os Governos) na busca do equilíbrio para atender à demanda" dos meses de inverno.

— Depois de um ano da nacionalização dos hidrocarbonetos e da sua consolidação no segundo ano, alcançaremos US$ 1,5 bilhão de investimentos em prospecção e exploração. Para um país pequeno como a Bolívia, isso é muito —, destacou o presidente boliviano.

— Em nossa gestão, incorporamos três novos poços e continuaremos a aumentar os volumes de produção desse modo", disse Morales, que admitiu que "a demanda de energia sempre aumenta e que todos os países sempre passam por situações críticas —, acrescentou.
 
— Por isso devemos nos unir para analisar essa situação e resolver junto a falta de energia —, disse Morales, que ficará apenas algumas horas em Buenos Aires.

A atual produção de gás boliviana é de aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos por dia, e será elevada a 42 milhões de metros cúbicos este ano por causa da demanda dos mercados externo e interno, estimada em torno de 46 milhões de metros cúbicos diários.

A Bolívia envia entre 27 milhões e 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia ao Brasil e é signatária de um acordo em que se compromete a bombear até 7,7 milhões de metros cúbicos diários à Argentina, mas o fluxo atual se limita a 3 milhões de metros cúbicos por dia.

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