Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Moradores reclamam da abordagem policial nas comunidades

Sexta, 02 de Maio de 2008 às 07:10, por: CdB

Com o cerco policial ao Complexo do Alemão e o aumento das operações no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, iniciados há um ano, comunidades vizinhas reclamam que os confrontos entre policiais e traficantes ficaram mais freqüentes, o que acabou refletindo na qualidade de vida dos moradores.

De acordo com a política de segurança do governo fluminense, as ações visam a enfraquecer o poder do tráfico de drogas e garantir a diminuição da violência para a população. Mas não é desta forma que líderes comunitários vêem o que ocorre há um ano na região.

Para o coordenador de comunicação do grupo Raízes em Movimento, David Silva, a ocupação policial acabou com o direito de ir e vir da população.

— A comunidade se sente mais oprimida hoje, com a presença da polícia, infelizmente, pois deveria ser o contrário. É um sentimento de opressão, de estar mais limitado, observado a todo o momento. Aquela liberdade que se tinha, de poder ficar na rua a qualquer hora, acabou —, disse.

Silva também reclama da forma de abordagem ilegal dos policiais aos moradores.

— Mandado judicial de busca não existe dentro de favela. Ao contrário se fosse em um condomínio na Barra da Tijuca, onde só se entra com ordem da Justiça. Na favela é meter o pé na porta, sem respeitar os moradores —, criticou.

Para o líder do Raízes em Movimento, grupo que atua com iniciativas culturais há nove anos na Favela da Grota, esse comportamento irregular acaba afastando a polícia da sociedade.

— A polícia foi criada para trazer segurança para a sociedade. Mas, dentro da favela acontece o inverso: ela leva o terror, ao invés de paz e segurança —, observou.

O papel da polícia nas comunidades pobres também é criticado pelo presidente da Associação dos Moradores da Favela da Merindiba, no Complexo da Penha, Luiz Cláudio dos Santos.

— A comunidade de bem, que não tem nada a ver com essa guerra, está pagando um preço que não é nosso. Todo o reflexo dessa guerra está respingando em nós. A maneira com que a polícia entra na comunidade, pensando que todo mundo é vagabundo, acaba nos revoltando. Queremos acreditar no órgão que foi criado para nos dar segurança, mas hoje acabou essa credibilidade —, disse.

De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Militar, é preciso que seja feito registro das denúncias de irregularidades nas ações policiais nas delegacias de polícia da região, para que sejam tomadas providências.

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