Hoje (19), funcionários de uma empreiteira contratada pela prefeitura do Rio de Janeiro, região sudeste do Brasil, com a ajuda de policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), invadiram a Praça Américo Brum, no Morro da Providência, onde será construída a base de um teleférico. O triste episódio impediu a entrada dos moradores (as) que programavam um café da manhã como forma de protestar.
Segundo Lilian Gonzaga, moradora do morro, a polícia subiu gritando com armas na mão, cassetetes e spray de pimenta, gerando medo e pânico na população. "A gente tem medo, ninguém saiu mais de casa”. Ela ainda relata que "a invasão é uma covardia com a comunidade e as crianças”, já que a praça é a única área de lazer do Morro da Providência.
A área está sendo requerida pela prefeitura para ser instalada a base do teleférico que será construído na localidade. Esta é mais uma das obras inseridas no plano de reurbanização da comunidade, bem como no projeto "Porto Maravilha", de revitalização da região portuária, que visa os grandes eventos que estão por vir ao Rio de Janeiro, como a Copa do Mundo de 2014.
Os moradores afirmam que em nenhum momento foi discutida a real necessidade de acabar com a praça, única área de lazer das crianças e jovens, nem se uma praça seria reconstruída em outro lugar.
Segundo informações da Rede contra a violência, após a entrada da polícia e dos empregados da empreiteira as pessoas ficaram impedidas de frequentar a praça, pois a mesma está totalmente cercada. Além disso, os moradores reclamam a falta de diálogo e informação dos detalhes do projeto de urbanização por parte da prefeitura, gerando ainda mais incertezas na população.
A Praça Américo Brum ganhou repercussão pública em 2008, quando três jovens foram sequestrados por militares do exército, que então ocupava a favela, e levados para outra comunidade comandada por uma facção rival, onde foram mortos.
Além da praça, está prevista a retirada de aproximadamente 700 moradias para a construção dos teleféricos no intuito de revitalizar a área. A saída está sendo negociada entre prefeitura e moradores. Em alguns casos, os mesmos estão fazendo opção pelo aluguel social, no entanto, o dinheiro não dá para pagar. "Muitos já estão morando embaixo da ponte”, denuncia Lilian.
Teleféricos
A construção vai custar aos cofres públicos da cidade R$ 100 milhões. Um dos teleféricos vai fazer a conexão entre a Cidade do Samba, na Gamboa, e a Central do Brasil. O outro vai ligar a Praça Mauá à Avenida Francisco Bicalho, na Leopoldina, passando por outros morros da região, como Conceição, Livramento e o Morro do Pinto. A construção dos teleféricos faz parte do conjunto de obras que estão sendo executadas por conta da Copa de 2014.