Moradores do Complexo do Alemão fazem caminhada pela paz no Rio
Centenas de pessoas realizaram na manhã deste sábado um protesto pela paz na comunidade do Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Moradores começaram uma caminhada com faixas e cartazes que pedem o fim da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) e melhorias na segurança pública.
Moradores começaram uma caminhada com faixas e cartazes que pedem o fim da UPP
Centenas de pessoas realizaram na manhã deste sábado um protesto pela paz na comunidade do Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Moradores começaram uma caminhada com faixas e cartazes que pedem o fim da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) e melhorias na segurança pública.
O ato começou na entrada da localidade da Grota, à frente da manifestação, mototaxistas abriram caminho para a passagem dos moradores. Bolas brancas e megafones foram utilizados no protesto.
A mãe de Eduardo, a diarista Terezinha Maria de Jesus, participou do início do ato, mas teve de ser retirada, ao se descontrolar e passar mal. Ela culpou a PM pela morte do filho. "Eles estão matando os inocentes. Esta polícia assassina tirou a vida do meu filho. Esses covardes", protestou Terezinha.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Marcelo Freixo (Psol), esteve no protesto e questionou a política de segurança do governo do estado. "Tem que ter uma solução para isso, porque estamos falando da vida das pessoas. O primeiro passo é ouvir os moradores. Isso nunca aconteceu, nem para construir o teleférico nem para pensar em um modelo de polícia. É preciso parar com o discurso da guerra. Tem que ter diálogo", disse o deputado.
O líder comunitário Rene Silva, criador do jornal Voz da Comunidade, citou o aumento da violência como a principal causa do protesto: "O motivo da manifestação é a insatisfação das pessoas com esta violência, que já está desde o início do ano aqui no Complexo. Estamos há 90 dias sem deixar de ouvir tiroteios. A solução não é reforçar o policiamento. Passa por investimento em outras áreas, que não chegaram com a mesma força que a polícia chegou na comunidade, como as áreas cultural e social".
O presidente da Associação de Moradores da Palmeira, Marcos Valério Alves, conhecido como Marquinho Pepé, fez questão de ressaltar que o ato não era contra a polícia, mas sim pela paz e pelo respeito mútuo. "O nosso objetivo é pela paz e pela vida. Não somos contra a UPP. Só queremos é policiais comprometidos com a vida. Queremos um comandante que chame a população para conversar. Que haja o diálogo. Nós queremos o nosso direito de ser respeitados. Hoje não existe nem respeito nem tolerância dentro do Alemão", disse Pepé.
O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, se manifestou em nota publicada nesta sexta-feira e informou que todas as despesas com o traslado e sepultamento do corpo do menino Eduardo para o Piauí, terra natal da família, serão pagas pelo estado. Pezão também se disse profundamente consternado com o acontecido e salientou que a morte do garoto não ficará impune.
Os policiais que estavam envolvidos na ocorrência foram afastados das ruas e estão respondendo a um Inquérito Policial Militar (IPM). Suas armas foram recolhidas para a realização de exame balístico.
Na quinta-feira, o menino, Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, morreu após ser baleado por um tiro na cabeça, quando estava sentado em frente à própria casa. Os pais da criança afirmaram em entrevista para a Rede Record, que o garoto estava brincando com um celular quando foi atingido, pelas costas.
Nesta sexta-feira, moradores do Alemão, fizeram um protesto contra a morte do menino Eduardo de Jesus Ferreira, uma das quatro vítimas baleadas nos últimos dois dias na comunidade. O protesto começou de forma pacífica mas a tensão aumentou quando policiais da Tropa de Choque reprimiram a manifestação usando spray de pimenta e bombas de efeito moral.
Os policiais também investigam a morte de Elisabete Alves de Moura Francisco, baleada dentro de casa na última quarta-feira, assim como a filha, que ficou levemente ferida.
De acordo com a Coordenadoria da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), o patrulhamento na região segue reforçado.
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