Durante as madrugadas, as ruas do Centro do Rio são ocupadas por pessoas que, aos olhos da sociedade, perderam a identidade – representam apenas estatísticas de miséria, violência e morte.
A preocupação em afastar os perigos das ruas parece ter hora para terminar. Pouco se faz, em termos de segurança, pelo Centro e áreas adjacentes nos horários de pouco movimento.
Na última sexta-feira, João dormia envolto em um cobertor, na porta principal de entrada do prédio do Ministério Público, quando foi atingido por vários golpes na cabeça.
A polícia está à procura dos assassinos da vítima que, por falta de outro sobrenome, poderia assinar João “Brasil”. Nos últimos seis meses, outros sete moradores de rua foram assassinados no Centro do Rio, segundo registros da delegacia.
Neste domingo, outros dois moradores de rua foram assassinados. Desta vez no Viaduto dos Marinheiros, Cidade Nova, na região central do Rio. Flávia Souza, 15 anos, grávida de um mês, e Wellington Alves, 16 anos, foram queimados.
As demais pessoas, que também se encontravam debaixo do viaduto, conseguiram escapar. O caso foi registrado no 20° DP (Vila Isabel) nesta manhã. O principal suspeito, também morador de rua, identificado apenas como “Tupira”, foi detido e levado a prestar depoimento. O suspeito foi identificado por outros moradores de rua do local que teriam presenciado o ocorrido.