Moradores de Piratininga, em Niterói, ingressaram nesta segunda-feira com reclamação junto ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Estado do Rio de Janeiro (Crea-RJ), contra as obras de construção de um túnel subaquático que deveria ligar a lagoa que dá nome ao bairro ao mar. A construção já consumiu R$ 3 milhões e está parada há um ano, sob a suspeita de conter um grave erro de projeto.
Segundo ambientalistas, a falta de um estudo técnico sobre o movimento das marés levou à demarcação da boca do túnel, no lado do oceano que é arenoso e sujeito às ressacas. Segundo a ONG SOS Lagoa, o túnel poderá entupir devido ao erro do projeto e a água da lagoa não se renovará, permitindo que ela continue a secar. Para especialistas do Crea-RJ, no entanto, a saída não resolverá o problema principal da lagoa, que é o despejo diário de esgoto em seus afluentes.
Segundo levantamento do Crea-RJ, no entanto, o governo estadual contratou, em uma licitação, a empreiteira Delta, para concluir o serviço, ao preço de R$ 8.413.000, o que significa 236,5% a mais do que o orçamento inicial, de R$ 2,5 milhões.
Para o diretor de obras e apoio técnico da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), José Carlos Pinto, os estudos ainda serão realizados e poderão levar a modificações no projeto.
- Se apontarem necessidade de mudança de traçado, vamos estudar. Se não apontarem, vamos continuar - disse ele a jornalistas.
Ele reconhece, no entanto, que alguns estudos não foram realizados para definir o melhor ponto de saída do túnel para o mar.
- Não temos as análises referentes às marés e à movimentação da areia - disse.
Quanto à validade da obra, Pinto discorda do Crea-RJ e acredita que o túnel é a melhor opção para salvar a lagoa.
- Adotamos a solução mais cara, mas que será mais barata, pois não tem manutenção. Caso a opção fosse um canal a céu aberto, o que seria uma obra mais barata, a Prainha seria afetada e prejudicaria os banhistas, que teriam a praia dividida - afirmou.