Além de terem a rotina abalada por confrontos entre policiais e traficantes, moradores da Vila Cruzeiro, no complexo de favelas do Alemão, no Rio, estariam sofrendo discriminação de empregadores quando procuram trabalho e de companhias de serviços público, que evitariam entrar na região alegando risco para os profissionais.
Essas denúncias fazem parte do dossiê que o líder comunitário da Vila, Luís Cláudio dos Santos, formulou a partir de reclamações de moradores e vai apresentar ao relator da Organização das Nações Unidas (ONU) para análises de casos de execuções sumárias, Philip Alston.
Segundo Santos, coleta de lixo e manutenção da rede telefônica não estão sendo realizadas corretamente na área sob alegação de que há risco para os profissionais. Ele disse também que os trabalhadores que vivem na região são discriminados.
— Chegamos ao absurdo de moradores nos relatarem que, ao buscar um emprego, são rejeitados se falarem que moram no Alemão. Nossas escolas são precárias e as pessoas não têm o direito de trabalhar para pagar um ensino de qualidade para os filhos. Vamos ser pobres eternamente — disse Santos.
Ele afirmou que não é contra o trabalho da polícia, mas defendeu uma ação conjunta com entidades sociais. — Hoje, só conhecemos a ação do Estado através da polícia; e o governador insiste na política do confronto. Vai matar mais inocentes — afirmou.
O objetivo principal da visita do relator da ONU no Rio é verificar se houve excesso na operação policial que deixou 19 mortos no complexo do Alemão, em junho deste ano.