Moradores culpam prefeitura por deslizamento em SP
Moradores e familiares de vítimas do deslizamento de terra que ocorreu nesta quinta-feira, no Morro dos Macacos, em Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, alegam que a obra de contenção de encosta que estava sendo feita não poderia ter começado até que todas as famílias fossem removidas.
Moradores e familiares de vítimas do deslizamento de terra que ocorreu nesta quinta-feira, no Morro dos Macacos, em Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, alegam que a obra de contenção de encosta que estava sendo feita não poderia ter começado até que todas as famílias fossem removidas.
Ainda há risco de novos deslizamentos de terra. De acordo com a Prefeitura, dez casas foram danificadas e 24 permaneciam interditadas na manhã desta sexta-feira. O local onde aconteceu o acidente é uma das 24 áreas de risco mapeadas pela Prefeitura na região.
No Morro dos Macacos vivem pelo menos 2 mil pessoas. Mas os moradores já estavam preocupados com a obra de urbanização e contenção de encostas.
O motivo para não deixar as casas, conforme os moradores, é o baixo valor oferecido pela prefeitura para que as pessoas adquiram imóvel em outro lugar.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, lamentou o deslizamento e garantiu que a Prefeitura tem feito um trabalho bastante intenso para convencer as famílias a abandonaram as áreas de risco.
Segundo ele, o trabalho de remoção de famílias de áreas de risco é de longo prazo. Mas ele diz que esse processo tem melhorado significantemente.
O secretário de Habitação de São Paulo, Ricardo Pereira Leite, disse que havia 500 famílias em áreas de risco na região e que a prefeitura conseguiu fazer a remoção de 422 delas.
As 24 casas foram interditadas pela Defesa Civil logo após o deslizamento. Uma grávida, de 17 anos de idade, e uma criança, de 3 anos de idade, morreram soterradas. Duas pessoas ficaram feridas. A prefeitura de São Paulo informou, por meio de nota, que dez moradias foram condenadas e deverão ser demolidas.
Um posto avançado da Secretaria Municipal de Habitação foi montado no local para o atendimento dos moradores da região. Indignação e tristeza são as palavras mais usadas pelos moradores para definir a tragédia. O chefe da Defesa Civil Municipal, coronel Jair Paca de Lima, disse que as condições instáveis do solo, por conta da declividade, foram agravadas por infiltrações.
A prefeitura deve impedir que parte das 50 famílias levadas para hotéis volte para suas casas. As ofertas aos moradores variam de um auxílio-aluguel de R$ 300 mensais a uma indenização, em média, R$ 15 mil.
O promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo Maurício Antonio Ribeiro Lopes instaurou na tarde desta quinta-feira inquérito civil para apurar as causas. A suspeita é de que uma retroescavadeira que trabalhava na obra tenha caído e provocado o deslocamento da terra.
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