Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Morador do Alemão recusa ordem do tráfico e é assassinado

O presidente da Associação de Moradores do Conjunto das Casinhas, na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão (Zona Norte), Luiz Antônio de Moura, de 41 anos, o Guinha, foi assassinado na tarde de sábado, dias após receber "ordem" dos traficantes para deixar a comunidade.

Segunda, 22 de Dezembro de 2014 às 11:05, por: CdB
alemaoguinha.jpg
Para moradores, a versão de que Guinha teria sido assassinado por ser gay é completamente fora de propósito
  O presidente da Associação de Moradores do Conjunto das Casinhas, na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão (Zona Norte), Luiz Antônio de Moura, de 41 anos, o Guinha, foi assassinado na tarde de sábado, dias após receber "ordem" dos traficantes para deixar a comunidade. Os criminosos haviam decidido pelo afastamento das lideranças comunitárias por entender que elas estariam muito ligadas aos policiais das UPPs que operam no Alemão. Luiz Antônio de Moura, segundo uma fonte da comunidade, foi o único a não atender à determinação. Além dele, outro morador, Leonardo Garcia dos Santos da Silva, 18 anos, também foi baleado. O assassinato, a tiros, aconteceu nas imediações do Centro Cultural do Complexo do Alemão. O líder comunitário é personagem do documentário "Favela Gay", sobre a militância em defesa dos direitos dos homossexuais nas comunidades cariocas, produzido por Cacá Diegues e Renata de Almeida Magalhães. No filme, Guinha contou episódios de perseguição a homossexuais e transexuais do conjunto de favelas. Um morador revelou que na tarde de sábado havia muito movimento de traficantes armados nas imediações da Grota - um dos pontos de concentração de criminosos no período pós-UPP. Ao conversar com moradores fica evidente que a presença dos criminosos não foi reduzida a partir do advento das UPPs. "O que mudou de lá para cá é que temos policiais e bandidos, quando antes havia só bandidos. Mas os criminosos agem e controlam a comunidade como sempre ocorreu", disse. As idades e vindas de traficantes armados deu a indicação de que haveria alguma ação violenta do tráfico. "Muita gente que estava nas ruas ou mesmo bebendo nas biroscas, ao perceber o clima, preferiu se recolher. Foi meu caso", disse um morador. Desde o início das UPPs Mais de uma centena de policiais foi assassinada. Até março deste ano o número já se igualava ao do ano passado: 16 casos. A situação não é diferente também para alguns moradores que não se sentem seguros nestas áreas. A instalação efetiva de um sistema social, com outras ações além da policial, ainda deixa a desejar. A UPP, como se vê, portanto, ainda não saiu do papel. Para moradores, a versão de que Guinha teria sido assassinado por ser gay é completamente fora de propósito: todos sabiam da sua homossexualidade e o respeitavam. Ele morreu por ordem do tráfico que teme a ligação de lideranças com o comando da PM.
Tags:
Edições digital e impressa