O projeto final do monumento em memória das vítimas dos ataques ao World Trade Center inclui um museu e um centro cultural, que ficarão no subsolo e próximos do local onde as Torres Gêmeas estavam.
O arquiteto Michael Arad e o paisagista Peter Walker explicaram hoje, quarta-feira, detalhes de seu projeto "Refletindo a Ausência", durante o ato de apresentação oficial, no qual estavam presentes as principais autoridades nova-iorquinas.
A escolha de um monumento em memória das cerca de 3.000 vítimas dos atentados terroristas contra o World Trade Center de 1993 e de 2001 foi o mais complexo e difícil desafio enfrentado pela Corporação para o Desenvolvimento do Baixo Manhattan (LMDC, sigla em inglês), encarregada da reconstrução de um espaço total de 6,5 hectares.
A dificuldade não consistia apenas em aliar o monumento ao desenvolvimento geral do novo complexo, mas também em como responder às expectativas dos familiares das vítimas.
- Sei quanto este monumento significa para muita gente - afirmou Arad, um arquiteto de 34 anos que vive em Nova York e que lembrou o grande impacto emocional que a tragédia causou nele, assim como o sentimento de solidariedade que se espalhou pela cidade.
O arquiteto explicou que ambos os fatores o motivaram a participar do concurso, convocado em abril do ano passado, e que recebeu 5.201 propostas de 63 países.
Arad projetou dois espaços quadrados cortados sobre a superfície do rio Hudson, próximo ao World Trade Center, que permanecem vazios apesar do constante fluir de água sobre eles, em homenagem à perda de tantas vidas.
A conservação do local onde as torres ficavam e sua transformação em um espaço em homenagem às vítimas era uma das coisas mais pedidas pelos familiares, que finalmente verão suas expectativas cumpridas.
O monumento também possibilita o acesso dos visitantes ao subsolo, onde haverá um museu em lembrança à tragédia para futuras gerações, assim como outro espaço destinado a atividades culturais.
Nesse nível, esclareceu Arad, "desaparecem" os sons e a luz da cidade e o visitante entra em um local mais silencioso e escuro, que poderá percorrer e onde haverá salas abertas para a reflexão e a lembrança das vítimas, tanto para o público em geral como para os familiares.
Um dos aspectos que mais chamam a atenção no projeto final é o exuberante arvoredo em torno dos dois espaços abertos e que transforma a praça central do novo complexo em um grande parque.
As árvores estarão alinhadas se o espaço for olhado de leste a oeste ou vice-versa, mas a distância entre elas não será igual, explicou o paisagista Peter Walker.
Com isso, quando se tem acesso à praça do norte ou do sul pode-se ver árvores desordenadas, como se fosse uma floresta, que modificarão o aspecto da praça de acordo com a mudança de estações.
- Espero que este parque traga um pouco de esperança a este monumento e aos visitantes -concluiu Walker.
John Whitehead, presidente da LMDC, ressaltou que o monumento "é a peça mais importante" da recuperação da área e disse que ainda não está completo em todos os seus detalhes.
Whitehead informou que a Fundação para o Monumento Comemorativo do World Trade Center começará a arrecadar fundos públicos e privados em breve para sua construção.
A fundação garantirá, segundo Whitehead, não só a construção do monumento mas também que o relato das histórias do 11 de setembro sobreviva.
Além disso, acrescentou que futuras gerações "aprenderão lições de coragem, sacrifício e esperança, e outras ainda não conhecidas" relacionadas àquela tragédia.