Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Montadoras vêem metas de lucro se desmanchar frente à crise econômica

Quinta, 12 de Fevereiro de 2009 às 11:00, por: CdB

A montadora francesa Renault desistiu de suas metas de lucro de 2009 nesta quinta-feira diante da crise sem precedentes que a empresa vê como capaz de mudar o cenário do setor. O grupo divulgou uma forte queda no lucro líquido e nas vendas de 2008 devido ao que classificou como "crise financeira e econômica de proporções maciças". A Renault ainda espera que o mercado piore e desistiu de pagar dividendos relativos ao ano passado.

O novo vice-presidente operacional, Patrick Pelata, afirmou que a montadora está completamente mobilizada para enfrentar a crise e está focando na geração de fluxo de caixa livre positivo. Ele afirmou a jornalistas que a empresa está considerando vender imóveis e racionalizar fábricas na região de Paris e está buscando 250 milhões de euros em economias adicionais de custos por meio da aliança que mantém com a japonesa Nissan, da qual detém 44 % de participação.

O presidente-executivo da Renault e da Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, que também preside a associação da indústria automotiva europeia, pediu mais apoio estatal ao setor e disse que a crise é profunda e que vai mudar a face da indústria. Ecoando comentários do presidente-executivo da Fiat, Sergio Marchionne, cuja companhia está negociando uma aliança com a Chrysler, Ghosn disse que haverá menos montadoras no mundo depois da crise.

O lucro líquido da Renault caiu para 599 milhões de euros no ano passado ante 2,734 bilhões de euros em 2007. O lucro antes de juros e impostos caiu para 212 milhões de euros, ficando aquém da média de estimativas de analistas ouvidos pela agência inglesa de notícias econômica Reuters Estimates, de 794,43 milhões de euros. A empresa superou a meta de redução de estoques de veículos não vendidos, encerrando o ano com 5,3 bilhões de euros em inventários. A companhia cortou produção duas vezes mais rápido que a queda das vendas no quarto trimestre.

As vendas do grupo em 2008 caíram 7 %, para 37,791 bilhões de euros, ante estimativa média de analistas de 38,858 bilhões de euros.

Negociações

A General Motors manteve negociações com a chinesa SAIC Motor sobre a venda de parte de sua fatia em uma joint-venture entre as duas empresas ou outros ativos, em um momento em que a montadora norte-americana corre para levantar capital, informaram duas fontes próximas do assunto. A GM contatou a SAIC Motor nas últimas semanas com uma oferta para vender parte de sua participação de 50 % na joint-venture que fabrica e vende Buicks, Cadillacs e modelos da marca Chevrolet na China, segundo as fontes.

As fontes pediram para não serem identificadas porque não estão autorizadas a discutir negociações preliminares. Um acordo faria da GM um sócio minoritário na joint-venture formada há cerca de uma década na China, a Shanghai General Motors, e considerada uma das jóias da coroa remanescentes nas operações globais da montadora norte-americana.

A GM tem até terça-feira para enviar ao governo dos Estados Unidos um plano de reestruturação detalhando o progresso que tem sido feito em cortes de custos e melhora do balanço financeiro.

Representantes da GM e da SAIC não comentaram o assunto.

Analistas afirmam que a necessidade de capital da GM pode se provar uma boa oportunidade de expansão para a SAIC Motor e para a FAW Xiali Automotive, cujas ações dispararam 10% nesta quinta-feira. Não ficou claro imediatamente quanto a GM pode buscar levantar em capital com qualquer acordo de venda de ativos na China. Em julho, a GM definiu meta de levantar até 4 bilhões de dólares por meio de venda de ativos, mas a crise global nas vendas e no crédito interromperam o progresso de potenciais acordos.

Entre os ativos que a GM tem tentado vender está a linha de utilitários esportivos Hummer, a marca sueca Saab, e uma operação com picapes médias em Michigan. As vendas da GM nos EUA despencaram 23% no ano passado, em uma queda que se acelerou no último trimestre de 2008.

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