Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Monopólio da Petrobras no transporte de combustível é temido por produtores

Quarta, 08 de Junho de 2005 às 08:31, por: CdB

Os produtores nacionais estão preocupados com o monopólio da Petrobras no transporte de combustível. Tudo depois do anúncio do primeiro contrato de exportação de álcool carburante  para a Venezuela, que marca a estréia da Petrobras como comercializadora do combustível. 

Apesar de acharem que estatal poderá investir fortemente em logística, eles temem que a petroleira monopolize o transporte e, conseqüentemente, os preços. Além disso, questionam o papel da companhia como intermediária no negócio.

De acordo com a Única, entidade que representa 60% da produção nacional de álcool, o preço médio atual do transporte da Petrobras via dutos é de US$ 40 por metro cúbico. O valor, segundo o diretor técnico Antonio de Pádua Rodrigues, representa de 15% a 20% do custo do álcool. Na década de 70, diz, 40% da produção nacional passava por dutos. Hoje, essa quantia é praticamente nula.

- A logística da Petrobras é tão cara que o transporte via dutos não concorre com o transporte rodoviário. A gente até vê a empresa como facilitadora de logística, mas não como facilitadora do trade (comércio). Até porque questionamos se é função da Petrobras comprar, vender e gerar lucro em cima do produtor - diz.

Segundo os produtores, as exportações vão bem. Com mercados em expansão em Estados Unidos, Europa, Caribe, Japão, Suécia, África e Índia, eles já planejam dobrar para 5 bilhões de litros de álcool suas vendas ao exterior até 2010. No ano passado, 15% (ou 2,4 bilhões de litros) da produção nacional de 15,2 bilhões de litros de álcool foi exportada.

- Para alcançarmos a marca dos 5 bilhões de litros, os portos existentes no Brasil são suficientes. Mas este é um mercado que tende a crescer e, para viabilizarmos um volume maior de vendas ao exterior, precisamos de mais investimentos em dutos e terminais. Esta é a área que precisa do apoio da Petrobras - avalia Rodrigues.

O diretor de Dutos e Terminais da Transpetro (braço de transportes da Petrobras), Marcelino Gomes, deixa claro: a função de trader (comercializadora) será exercida pela Petrobras holding; Já a Transpetro cuidará de toda a infra-estrutura de transporte e promete um investimento polpudo para melhorar a infra-estrutura e reduzir os preços. 

- A estatal está investindo US$ 317 milhões no aperfeiçoamento e construção de dutos para o transporte de álcool. Até 2005, a empresa irá cumprir a chamada fase Zero do projeto, reparando um trecho já existente, ligando Campinas ao Terminal de Ilha D'água, no Rio.

Até 2008, a Transpetro construirá um duto de 190 quilômetros ligando a Replan (refinaria de Paulínia) a Taubaté. Em 2010 será concluída a ligação entre Ribeirão Preto/Sertãozinho e Paulínia. No mesmo período, será construído um duto entre a região de Conchas a Paulínia. Em Conhas, também haverá um terminal fluvial. Por último será implementado um trecho ligando Guararema a São Sebastião.

- Além disso, planejamos investir US$ 11 milhões na adequação do terminal de Paranaguá para viabilizar a produção do Paraná. E faremos outro investimento de US$ 4 milhões a US$ 5 milhões em um terminal em Maceió. Quando concluirmos todas as obras, seremos capazes de transportar 8 milhões de metros cúbicos (ou 8 bilhões de litros) do álcool produzido em São Paulo pelos terminais de Ilha Dágua e São Sebastião - calcula o diretor.

As exportações de álcool do Brasil para a Venezuela começarão a ser feitas em julho e envolverão, inicialmente, 25 mil metros cúbicos por mês. A empresa, que também negocia a venda de álcool para o Japão, diz estar observando o aumento da demanda do mercado.

- Por isso, estamos fazendo o investimento em fases. A Petrobras está participando das missões governamentais e, se este mercado realmente acontecer, teremos logística para viabilizar a exportação - conclui Marcelino.

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