Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2026

Monges budistas voltam às ruas em Mianmar

Mais de cem monges budistas realizaram uma marcha em Mianmar (antiga Birmânia) pela primeira vez desde que protestos pró-democracia foram reprimidos no mês passado. Testemunhas disseram à BBC que a marcha ocorreu na terça-feira e os monges não fizeram nenhuma declaração política aberta, mas o ato público foi, claramente, para desafiar a junta militar que governa o país. (Leia Mais)

Quarta, 31 de Outubro de 2007 às 08:49, por: CdB

Mais de cem monges budistas realizaram uma marcha em Mianmar (antiga Birmânia) pela primeira vez desde que protestos pró-democracia foram reprimidos no mês passado. Testemunhas disseram à BBC que a marcha ocorreu na terça-feira e os monges não fizeram nenhuma declaração política aberta, mas o ato público foi, claramente, para desafiar a junta militar que governa o país.

Os monges entoaram cantos e orações ao marcharem por Pakokku, local onde um incidente violento em setembro deu início às manifestações contra o governo em várias partes de Mianmar.

Pakokku é um centro de ensinamento budista e fica 630 km a noroeste de Yangun, uma das principais cidades do país.

Espancamento

A notícia de que soldados espancaram monges na cidade em 6 de setembro deu mais ímpeto a protestos que haviam começado no dia 19 de agosto, por causa do aumento do preço dos combustíveis.

As concentrações públicas de monges foram proibidas em Mianmar e muitos mosteiros estão desertos.

O governo de Mianmar afirma que dez pessoas morreram na repressão do movimento, mas diplomatas acreditam que esse número pode ser muito maior. Milhares foram presos, inclusive muitos monges.

O representante das Nações Unidas Ibrahim Gambari deverá voltar a Mianmar nos próximos dias para conversações com o governo militar do país.

Há centenas de milhares de monges em Mianmar. Eles são reverenciados e, historicamente, o clero tinha uma posição proeminente em protestos políticos.

A repressão aos recentes protestos levaram Estados Unidos e União Européia a impor sanções e embargos contra Mianmar.

O embaixador britânico, Mark Canning, disse que acredita que é possível que ocorram mais distúrbios no país.

— Eu acho que o tipo de frustração política e econômica entre a população vai se manifestar novamente nos próximos meses. Como e em que escala não está claro —, afirmou.

Em outros desdobramentos, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, sediada em Nova York, disse que crianças de até dez anos estão sendo forçadas a entrar no Exército de Mianmar.

Segundo o documento, as crianças estão sendo abordadas em estações ferroviárias e rodoviárias e outros locais públicos.

Caso se recusem ao alistamento, os menores são espancados até decidirem cooperar, diz a Human Rights Watch. De acordo com a organização, com mais soldados desertando, o Exército luta para cumprir suas cotas e milhares de crianças estão pagando o preço.

Regulamento que proíbe o recrutamento de crianças em Mianmar data de 1973. Mas a organização de defesa dos direitos humanos diz que as autoridades militares no país estão fazendo vista grossa, dando aprovação tácita à prática.

Os militares que governam o país disseram que se opõem ao uso de crianças como soldados. Um general qualificou o relatório da Human Rights Watch como "sem fundamento".

Tags:
Edições digital e impressa