A Corte de Apelações de Mônaco pediu nesta quarta-feira esclarecimentos à Justiça brasileira sobre a possibilidade do ex-banqueiro Salvatore Cacciola recorrer da decisão de condenação da Justiça Federal caso ele seja extraditado para o Brasil, informou à BBC Brasil Frank Michel, advogado de Cacciola.
De acordo com Michel, a Justiça monegasca solicitou ao Brasil precisões sobre o Código de Processo Penal brasileiro e também sobre a jurisprudência no país em relação aos recursos contra penas de prisão.
Uma fonte ligada ao diretor dos serviços judiciários de Mônaco, Philippe Narmino, cujo cargo é equivalente ao de ministro da Justiça, informou à BBC Brasil que a "Justiça de Mônaco quer se assegurar de que Cacciola poderá entrar com recurso contra sua condenação no Brasil, caso ele seja extraditado, e que a nova avaliação do caso teria a continuidade adequada".
Em 2005, a Justiça Federal no Rio de Janeiro condenou Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato e gestão fraudulenta.
Para se certificar dos direitos de Cacciola caso ele retorne ao Brasil, a Corte de Apelações de Mônaco, que julga o pedido de extradição do ex-banqueiro feito pelo governo brasileiro, solicitou nesta quarta-feira documentos suplementares e marcou uma nova audiência para o dia 13 de março.
Complexidade
A expectativa era de que, após a audiência no último dia 19, quando a defesa de Cacciola expôs seus argumentos, a decisão da Justiça sobre a extradição do ex-banqueiro fosse anunciada em breve, provavelmente até o final desta semana.
No entanto, com a nova audiência prevista para março, o processo na Corte de Apelações irá demorar pelo menos um mês a mais do que o previsto.
O parecer da Corte será enviado em seguida ao príncipe Albert, a quem cabe a decisão final sobre a extradição de Cacciola.
— A decisão do tribunal de solicitar novos documentos após a realização da audiência na qual a defesa já foi apresentada só ocorre em processos de extradição excepcionalmente complexos —, disse o advogado.
O ex-banqueiro está preso em Mônaco desde o dia 15 de setembro de 2007.
— Se o Brasil não enviar os documentos solicitados para a audiência do próximo dia 13 de março, entrarei com novo pedido de habeas corpus —, afirmou Michel.
Mônaco quer saber sobre direitos de Cacciola no Brasil
Quarta, 27 de Fevereiro de 2008 às 16:58, por: CdB