O Museu de Arte Contemporânea de Nova York (MoMA) apresenta a partir desta semana um ciclo de cinema que lembra os 25 anos da Miramax, produtora que conseguiu se estabelecer como um referencial para o cinema independente dos Estados Unidos.
O organizador do ciclo e diretor do departamento audiovisual do MoMA, Laurence Kardish, declarou que a idéia desta mostra surgiu porque os 25 anos da Miramax coincide com a abertura da nova sede do museu, que esteve fechada por dois anos e meio para uma reforma que permitiu duplicar seu espaço.
A Miramax é "um exemplo para as produtoras de cinema independente de todo o mundo. Graças ao apoio de novos diretores, conseguiu um espaço dentro da indústria cinematográfica", disse Kardish.
O ciclo, composto por duas fases, irá desta semana até o mês de março e lembrará a trajetória da Miramax e de seu departamento "Dimension" dentro do mercado audiovisual.
Com sede em Nova York, a Miramax cresceu desde o início, em 1979, graças a diversas apostas cinematográficas e a sua política de comercialização.
A importância da produtora está em seu apoio a um cinema menos comercial nos Estados Unidos, o que lhe deu um catálogo de filmes extraordinário, incluindo obras de alguns dos melhores diretores atuais, explicam os organizadores da mostra.
Segundo os analistas, os filmes "Cães de aluguel" ("Reservoir Dogs"), cuja projeção abriu o ciclo, e "Sexo, mentiras e videotapes", dos diretores Quentin Tarantino e Steven Soderbergh, respectivamente, deram um impulso à companhia.
Além da projeção do filme, a abertura da mostra foi marcada por uma reunião com a presença de Tarantino e dos co-fundadores da produtora, os irmãos Harvey e Bob Weinstein.
Kardish disse que a seleção de "Cães de aluguel" para abrir o ciclo foi tomada porque todo mundo a quem perguntou sobre essa produção disse que gostava dela. Além disso, é um exemplo de como um filme pode consolidar uma produtora no mercado, como foi o caso da Miramax.
Dentro do ciclo cinematográfico, poderão ser vistos filmes como "Pequenos Espiões", o musical "Chicago", "Dead Man" e "O carteiro e o poeta", numa mostra variada dos títulos que a companhia produziu.
Perguntado sobre a importância que o museu dá à produção audiovisual, Kardish afirmou que "desde a origem do MoMA, em 1929, o centro sempre considerou as obras audiovisuais como uma nova forma de arte, esse foi um dos princípios da organização".
O diretor do departamento audiovisual disse que "o antigo MoMA começou uma tradição importante no que se refere ao apoio às obras cinematográficas".
- Vamos continuar nesse caminho - acrescentou.
Na nova sede, o museu tem uma galeria dedicada exclusivamente aos meios audiovisuais.