As mulheres vão assaltar os guarda-roupas dos homens no próximo inverno em busca de paletós e casacões masculinos, mas essas peças serão usadas para dar destaque maior a tops sedutores e vestidinhos carregados de fitas, bordados e paetês.
Essa foi uma das grandes tendências verificadas nas coleções de prêt-à-porter de outono-inverno expostas em Paris na semana de moda que terminou na terça-feira e foi marcada pela despedida de estilistas chaves, como Tom Ford, da Yves Saint Laurent.
A indústria da moda está prestes a iniciar uma brincadeira de troca de lugares. A gigante do setor do luxo LVMH procura novos estilistas para comandar suas grifes Celine e Givenchy, e seu grupo rival Gucci deve anunciar em breve os nomes que tomarão o lugar de Tom Ford nas grifes Gucci e YSL.
A reviravolta se dá num momento crucial para o setor do luxo, quando as empresas retomam seu pique normal após um ano prejudicadas pela guerra no Iraque e a epidemia de Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) na Ásia, mas os compradores do varejo continuam cautelosos em função do dólar forte.
A taxa de câmbio pouco favorável está levando os compradores dos EUA e da Ásia a escolher com mais cuidado do que o habitual. Os estilistas precisam oferecer produtos originais, mas que não assustem os clientes do exterior confrontados com etiquetas de preços sempre crescentes.
Tom Ford chamou a atenção com o desfile vistoso de despedida que fez na YSL, quando foi ovacionado por sua coleção de inspiração chinesa, marcada por saias de cetim e vestidos de noite em estilo "cheongsam" que brilhavam com milhares de paetês.
Os estilistas que expuseram em Paris mergulharam fundo nos visuais "vintage", com as garotas adolescentes do início do século passado sendo destaque nas coleções de Nina Ricci e da Lanvin, a elegância ao estilo anos 1940 nas criações de Stella McCartney e clones de Audrey Hepburn nas de Givenchy e Celine.
Tudo isso significou o retorno em grande estilo do cetim e veludo sensuais, acompanhados de falsos diamantes e muita pele.
Valentino e Sonia Rykiel citaram a influência da diva do cinema Marlene Dietrich, enquanto Dries Van Noten se inspirou na escritora Virginia Woolf.
Os casacos emergiram como artigo de status para o próximo inverno, com alfaiataria masculina e toques militares servindo de contraponto para o look romântico retro.
Outros visuais tendendo ao masculino variaram desde as jaquetas oversized da era do rockabilly da coleção da Christian Dior até os blazers da Chanel, em cujo desfile o estilista Karl Lagerfeld misturou modelos homens e mulheres na passarela, enfatizando a tendência andrógina.
Jean-Paul Gaultier expôs trenchcoats sedutores e calças de montaria em sua bem recebida estréia na Hermes, injetando sex appeal novo na grife.
A coleção de Phoebe Philo para a Chloe foi saudada como outro destaque da temporada. Seus casacos de lã de camelo e calças de tweed de pernas largas formaram um contraste com blusinhas de chiffon e vestidos de coquetel ultrafemininos, garantindo alguma coisa para todos os gostos.