Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

Mobilizar, participar e conscientizar

Sexta, 05 de Agosto de 2011 às 12:23, por: CdB

"Fui avisado no Gabinete que naentrada do Palácio do Planalto estavam umas cem pessoas que queriam conversarcom alguém do governo. Não estavam conseguindo entrar e não havia ninguém pararecebê-los. Tanto insistiram que desci do terceiro andar para ver o que estavaacontecendo e falar com eles. Eram hansenianos, coordenados pelo Movimento deReintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN). Por razões mais oumenos óbvias, jamais tinham sido ouvidos, muito menos recebidos por alguém dogoverno. Me passou pela cabeça: "Esta é a nossa gente, os excluídos dacivilização brasileira’. Comecei a ouvir suas histórias de vida: mães separadasde filhos, sem atendimento hospitalar, sem ajuda de qualquer espécie para suasobrevivência. Vi que sozinho não ia dar conta da situação. Acomodei-os numasala, voltei ao terceiro andar e fui falar com o presidente Lula: ‘Véio, vocêprecisa receber essa gente’. Ele respondeu: ‘Mas como Gilbertinho, se vocês,como sempre, me arrumaram uma agenda maluca!’. Tanto falei que o convenci: ‘Tábom, vou lá dar um abraço, uns cinco minutos’. Quando o presidente chegou ondeeles estavam, foi emoção lado a lado. Lula viu aquela gente sem braços, todadeformada fisicamente, marcada pela vida. Algo se passou na cabeça e no coraçãodele. Começou a abraçar um por um e passou a ouvir suas histórias por uma horae meia. Me lembrei de uma música conhecida pelos que são de igreja ou depastorais: ‘Fica um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas’.E Luladeterminou que em vinte dias eu providenciasse decreto, portaria, o que fosse,e desse um jeito de garantir uma renda para este povo eternamente abandonado.Se o governo tinha sempre dinheiro para tantos, por que não para eles? Aofinal, Lula me agradeceu pela oportunidade de recebê-los e em pouco mais devinte dias o apoio necessário, uma renda fixa foram garantidos.”

Esterelato emocionado, que emocionou a todos e todas, e me emocionou de novo agoraquando escrevo, foi dado pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidênciada República, Gilberto Carvalho, em julho, na retomada, dos Fóruns do Planalto,onde ele era o painelista e o tema "Participação social e Governo: Opçãometodológica do Governo Dilma”.

GilbertoCarvalho fez uma rememoração dos últimos trinta, quarenta anos: as greves emobilizações no final dos anos setenta no ABC, quando surgiu Lula, em seguida,anos oitenta, os novos movimentos sociais, o movimento sindical combativo, as Diretas-Já,a mobilização da Constituinte. Daí surgiram governos progressistas, compolíticas públicas com participação popular. A vitória de Lula para presidenteé fruto desta história. E seu governo não poderia ser diferente desta história.Era preciso abrir o Palácio para que todos e todas nele pudessem entrar, seremrecebidos, ouvidos e atendidos. E criou-se uma consciência forte no meio dopovo: ‘Ele, Lula, esse sujeito é um dos nossos’. Por isso, Lula começou aviajar pelo país e nos palanques e atos públicos sempre há alguém do povo,alguém dos movimentos sociais ao lado das autoridades, do governador, dossenadores e deputados, dos empresários. Coisa inédita na história brasileira.Houve a retomada da realização de Conferências, o apoio aos Conselhos, o apoioà mobilização social, com a criação, por exemplo, da Rede de Educação Cidadã,diretamente ligada ao Gabinete do Presidente da República, as políticasvoltadas aos mais pobres e aos trabalhadores.

ContinuaGilberto Carvalho: "Começa o governo da presidenta Dilma. Alguns dizem: ‘Tudoisso foi bonito, é a cara do Lula. Mas Dilma é mais fechada, tem outra formaçãoe história’. Mas quando ela me chamou para seu governo, disse: ‘Gilberto,preciso de você para ser uma espécie de grilo falante, e trazer os anseios dasociedade. Quero ouvir e falar com os movimentos sociais’. A presidenta Dilmatem consciência em profundidade da necessidade de um governo de participação.”

Por isso, o tema do Fórum doPlanalto refere-se à participação social como opção metodológica do governofederal. A Secretaria Geral da Presidência da República deverá fazer a mediaçãoentre o governo federal e a sociedade, envolvendo dois aspectos principais: aatuação da Secretaria Geral deverá ser pautada pela transversalidade, envolvendoos outros órgãos de governo nas demandas trazidas pela sociedade; e terá umpapel de aprofundar a democracia mediante a construção de formas departicipação da sociedade no governo. Nas palavras do ministro GilbertoCarvalho, ‘a Secretaria Geral não deve ser apenas portadora de demandas. Devetrazer a participação social para dentro do governo, deve torná-la método degoverno’.

Todosos setores sociais têm sido convidados a falar com o governo Dilma, muitos coma própria presidenta. Há um esforço de vitalizar Conselhos e Conferências. OPlano Plurianual (PPA)- 2012-2015 foi discutido por um Fórum Inter-Conselhosrecém-criado. A Rede de Educação cidadã continua, agora na Secretaria Geral. Apresidenta Dilma, entre outros teres Fóruns, criou o Fórum Direitos eCidadania, sob responsabilidade da Secretaria Geral, com participação daSecretaria dos Direitos Humanos, da Secretaria das Mulheres, da Secretaria dePromoção da Igualdade Racial, do Ministério da Cultura, entre outrosministérios.

Nenhumgoverno pode ou deve ter medo do diálogo com a sociedade, de sentar à mesa paraconversar sobre qualquer assunto com quer que seja, mesmo em meio a eventuaiscontradições e limites do governo, fruto da institucionalidade, das relaçõespolíticas e da correlação de forças. A mobilização social, a participaçãopopular e a conscientização são elementos e momentos fundantes de governos comraiz popular, de uma sociedade democrática, da construção de um país comjustiça e igualdade social, de uma Nação com soberania.

Emcinco de agosto de dois mil e onze.

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