Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Mobilizar a mídia emigrante

Sexta, 28 de Agosto de 2009 às 04:22, por: CdB

A presença do Ministro Franklin Martins na Conferência da emigração Brasileiros no Mundo, em outubro, no Rio de Janeiro,  vai reconhecer a existência e dar visibilidade à mídia emigrante.

Não se pode qualificar de nanica a imprensa emigrante, esses jornais e revistas que circulam fora do Brasil entre os brasileiros do exterior. É verdade, alguns têm pequenas tiragens e nem chegam a dois mil exemplares, mas nos Estados Unidos existem jornais emigrantes diários e, no Japão, circulam revistas com bom número de assinantes.

Porém, uma coisa é certa: ninguém no Brasil tem conhecimento ou dá valor à mídia emigrante que se faz no exterior, totalmente ignorada pela grande imprensa brasileira, considerada provavelmente um subproduto sem interesse e ainda por cima feita por não jornalistas. Se bem que a recente decisão do STF de não mais ser exigido diploma de jornalista para os profissionais da imprensa, eliminou esse argumento. Sem esquecer que existem editores e redatores emigrantes com registro como jornalistas profissionais.

São os jornais, revistas, programas de rádio e mesmo de tevê da mídia emigrante que informam e interelacionam as comunidades brasileiras nas regiões para as quais se transplantaram, além de noticiar os pontos frequentados pelos brasileiros, seus restaurantes, cafés, bares, conferências e festas. Tudo em português, preservando nosso idioma como comunicação essencial para se manter viva a cultura nacional entre os filhos e netos dos emigrantes.

Por isso, o movimento Estado dos Emigrantes com seu projeto de um órgão institucional autônomo mas vinculado ao governo brasileiro, uma espécie de Secretaria de Estado da Emigração com poder executivo e legislativo, elaborou um projeto de federalização da mídia emigrante. Para seus editores, jornalistas, repórteres se conhecerem entre si, trocarem figurinhas, se apoiarem, intercambiarem informações. E, fora isso, poderem ter apoio, porque no momento não têm e nenhum, através de reconhecimentos do governo brasileiro e mesmo incentivos, subsídios e uma legislação favorável dando o estatuto de jornalista a esses emigrantes que editam e escrevem sozinhos seu jornal e revista. Mesmo porque existem jornais e revistas iguais ou melhores aos editados no Brasil, circulando em Nova Iorque, Miami, Tóquio, Londres ou Zurique.

Sem receber nada do governo e sem pedir, têm mantido todos estes anos o vínculo das populações emigrantes com o Brasil. Por isso, o movimento Estado dos Emigrantes pediu ao Conselho de representantes das comunidades brasileiras, na sua primeira reunião, em julho, no Rio, para se dar um espaço a um debate sobre a mídia emigrante.

Infelizmente, a II Conferência Brasileiros no Mundo, dura só dois dias com pauta sobrecarregada, e não se achou um espaço entre os temas para se dar um enfoque aos jornalistas e editores do exterior. Mas se conseguiu uma tribuna para o Ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, tratar da mídia emigrante e isso constitui um fato inédito.

Pela primeira vez, um ministro do governo vai falar aos emigrantes da mídia brasileira espalhada pelo mundo e mesmo manter um diálogo, na manhã histórica do dia 15 de outubro. Histórica porque nossa imprensa do exterior conquistará nesse dia sua maioridade e seu reconhecimento pelo governo federal.

Mas deixar o ministro Franklin Martins partir, como um parenteses, na II Conferência, será perder uma extraordinária oportunidade para se reunir e se saber a quantas anda nossa mídia da emigração. Por isso, o movimento Estado dos Emigrantes faz uma outra proposta, desta vez dirigida a todos os redatores, editores, repórteres, jornalistas da emigração que puderem ir ao Rio de Janeiro – a de participarem de um encontro à noite, no hotel, logo depois do primeiro dia de debates no Itamaraty, para se tratar da viabilidade de uma federalização da mídia emigrante, sendo convidado também de maneira informal o presidente da Federação Nacional de Jornalistas para participar com sua experiência.

Fica aí registrado o convite para os editores de jornais e revistas e programas de rádio e televisão de emigrantes nos EUA, Europa, Japão e outros países. As adesões podem ser feitas pelo email - martinsrp@hotmail.com .

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