Haiti se mobiliza nesta terça (6) para protestar contra os cascos azuis (forças internacionais formadas por corpos militares e civis dos distintos Estados membros das Nações Unidas) do Uruguai, acusados de agressão sexual a um jovem de 18 anos, durante a participação deles como soldados das Nações Unidas no país antilhano. Espera-se que o Ministério de Defesa do Uruguai responda por esses atos perante o parlamento.
A ação acontecerá depois da divulgação de um vídeo na internet, em que um jovem haitiano é atacado supostamente por cinco soldados e um civil.
O presidente do Haiti, Michel Martelly, condenou "vigorosamente” a agressão realizada no povoado de Port-Salut, cidade costeira no sul do país, chamando-a de uma ação "repugnante diante da consciência nacional”.
O ataque ocorreu no dia 20 de julho, porém, só foi divulgado na semana passada, através de um vídeo feito por um telefone celular.
Enquanto manifestantes em Port-Salut pediram uma indenização pelo fato, os soldados uruguaios confirmam que o incidente é uma piada de mau gosto e que a investigação preliminar da Organização das Nações Unidas não encontrou evidências.
O colaborador da TeleSur, no Uruguai, Fabián Cardozo, disse que esta terça será um dia chave em Montevidéu, a capital, "para saber justamente o que acontecerá com o futuro dos militares da Armada Nacional no Haiti que cometeram esse delito que foi catalogado como violação mas que também tem relação com métodos de tortura por parte dos soldados nesse lugar”.
Informou que concretamente esse caso será motivo de análise e de debates no Parlamento Nacional.
"A intenção é conhecer mais detalhes por parte da oposição e conhecer qual será o plano que se vai fazer daqui por diante”, acrescentou.
Disse que "esperam fortes sanções aos soldados e que isso pode dar início a uma causa judicial penal da justiça local. Certamente se espera fortes repercussões e um debate que vá transcender ao oficialismo e até todo o sistema político no Uruguai”.
Ministério da Defesa se pronunciará nesta terça
O Ministério da Defesa do Uruguai apresentou uma denúncia, na segunda-feira, contra cinco marinheiros da missão de paz da ONU, depois de ter visto as imagens do vídeo.
A medida foi anunciada pelo secretário da Presidência, Alberto Breccia, que na saída do Conselho de Ministros, expôs que "há uma denúncia penal feita pelo Ministério de Defesa ante os tribunais uruguaios. O acordo que existe quando se enviam tropas para cumprir missões das Nações Unidas estabelece que todos aqueles fatos atos criminosos cometidos por efetivos militares no cumprimento da missão de paz, deverão ser julgados pelos tribunais do país de origem dos soldados”.
O Governo já iniciou os procedimentos para a repatriação dos soldados; entretanto, a autorização deve vir da ONU. No caso de serem condenados culpados, serão expulsos da Armada e serão tirados os benefícios jubilatórios, além da pena que impor a justiça.
A noticia é da TeleSur