Os movimentos em defesa da igualdade social, dos direitos humanos e outras entidades apoiadoras participarão, na próxima sexta-feira, 27 de outubro, da Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra, que acontecerá em todo o país. Segundo a ONG Criola, esse dia foi escolhido para que se pudesse dar visibilidade ao combate ao racismo, discriminação e todas as formas de intolerâncias.
Existem várias formas de participar da mobilização. A ONG Criola apresenta algumas ações que podem ser realizadas nesse dia. As redes e as organizações do movimento negro podem convidar seus associados para uma conversa sobre combate a discriminação e ao racismo institucional na saúde, enviar e-mails para seus pares, com o release da campanha, publicar informes sobre a campanha em seus sites.
Os comunicadores e comunicadoras comunitários podem transmitir, durante todo o dia, a frase mobilizadora da campanha - Dia não à discriminação e às intolerâncias, exija seus direitos: combata o racismo - e promover entrevistas com pessoas que trabalham com os temas racismo institucional e saúde da população negra. Os distritos sanitários podem organizar reunião, debate ou roda de conversa sobre combate a discriminação e ao racismo institucional na saúde, exibição de vídeos sobre o tema da campanha, seguidos de discussão.
Já as unidades básicas de saúde, as unidades de saúde da família, os espaços religiosos podem promover discussões, rodas de conversa sobre os temas racismo, discriminação e intolerância religiosa e seus impactos na saúde; exposições (fotos, cartazes) sobre praticas inclusivas de saúde, sobre a realidade local (ou comunitária), sobre campanhas de valorização da diversidade, combate ao racismo e a discriminação; exibição de vídeos ou outros recursos audiovisuais sobre o tema da campanha que possam ser exibidos e discutidos com a comunidade local - profissionais de saúde, lideranças, usuários dos serviços, adeptos das religiões (Cine Saúde).
Segundo informações da Criola, o Brasil é o único país do mundo que conta com um Sistema Único de Saúde, que tem como premissas a universalidade, eqüidade, integralidade. Entretanto, é sabido que alguns grupos têm seu direito à saúde negado ou violado, em virtude das dificuldades de acesso aos serviços ou da baixa qualidade da atenção que lhes é oferecida.
A marca da desigualdade no acesso aos serviços de saúde pode ser observada quando se fala de mortalidade: de acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2003, a cada 100 pessoas que morreram 14 não tiveram a causa de sua morte definida. Para as crianças pretas e pardas com menos de cinco anos, as taxas de morte por causas mal definidas foram duas vezes maiores que as observadas para as crianças brancas. Situações como estas mostram dificuldades de acesso aos serviços de saúde, o diagnóstico tardio, a baixa qualidade da atenção oferecida, tratamento inexistente, inadequado e/ou ineficiente.
Ainda trabalhando com os dados de mortalidade, se forem considerados apenas os óbitos com causa definida, os acidentes de transporte, homicídios, suicídios, ou seja, as causas externas de morte ocupam lugar de destaque e só perdem para as doenças do aparelho circulatório. No Brasil, independente do sexo ou da região de moradia, o risco de morte por homicídios é maior na população negra (pretos e pardos), embora as taxas sejam maiores para os pretos.
Mais informações sobre a campanha podem ser obtidas pelo telefone (21) 2518-7964 (Criola) ou pelos e-mails mguimar@uol.com.br e controlesocial@criola.org.br . Site na Internet: www.criola.org.br .