Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2026

Mobilidade urbana preocupa candidatos no Rio para Jogos de 2016

Quarta, 20 de Agosto de 2008 às 16:02, por: CdB

Um ano depois de eleito, o futuro prefeito do Rio de Janeiro saberá se a cidade foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e terá que prepará-la para o maior evento esportivo do planeta.

Entre propostas mirabolantes e subestimação do tamanho do desafio, quase todos os candidatos destacam uma necessidade comum: melhorar a mobilidade urbana para a circulação de atletas, dirigentes, turistas e torcedores.

O senador Marcelo Crivella (PRB) defende grandes investimentos no setor de transportes, desde a criação de corredores exclusivos para ônibus --previstos no projeto do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)-- até a expansão do metrô com recursos municipais, o que seria inédito pelo meio de transporte ser competência estadual.

Na questão dos ônibus, a proposta do senador é construir plataformas de embarque climatizadas e garantir o transporte de até 150 pessoas em cada coletivo.

Para que a cidade consiga faturar com turismo após os Jogos, Crivella tem projeto de padronizar toda a orla carioca, desde o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim até a última praia do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste.

Ex-secretário estadual de Esportes, Turismo e Lazer, Eduardo Paes (PMDB) acredita que as propostas de investimento elaboradas pelo COB são "modestas e factíveis".

O candidato, que participou da elaboração como secretário, afirma que o foco deve estar nas áreas de transportes, segurança e meio ambiente --um consenso entre a maioria dos seus concorrentes.

Aeromóvel

Jandira Feghali (PCdoB) também frisa a necessidade de garantir fácil mobilidade de moradores, turistas e atletas no Rio. Ela propõe uma nova modalidade de transporte, o "aeromóvel": trem sobre trilhos impulsionado por compressão de ar, que ligaria a Barra da Tijuca, na zona oeste, à Penha, na zona norte, passando pelo aeroporto internacional.

Jandira também promete a limpeza do Canal do Cunha, às margens da Linha Vermelha, rota obrigatória e mal cheirosa para quem chega do exterior na cidade.

Entre os principais problemas que deverão ser enfrentados pelo próximo prefeito na preparação para sediar uma Olimpíada, Chico Alencar (PSOL) destaca a conexão entre desigualdade social e violência.

- Sempre falam em transporte e nos espaços esportivos, mas não temos o direito de pensar na Olimpíada esquecendo da realidade social da cidade - disse.

Para o candidato do PSOL, "após a Olimpíada, complexos esportivos devem ser incorporados à rede de educação e servir à massificação do esporte, em vez de serem arrendados para a iniciativa privada".

Fernando Gabeira (PV) também acha que os equipamentos esportivos construídos para a Olimpíada devem fazer parte de políticas públicas que envolvam esporte e saúde. Ele propõe a massificação de esportes como natação e pólo aquático com apoio direto da prefeitura.

Sobre a revitalização de áreas turísticas da cidade, que constam no projeto do COB, Gabeira pretende buscar capitais portugueses para a reforma da Quinta da Boa Vista.

Solange Amaral (DEM), ligada ao grupo do atual prefeito, mostra-se otimista com as condições da cidade em receber um evento esportivo de grande porte.

- O Rio tem mais pontos positivos do que necessidade de correção - diz.

Para ela, a integração entre as três esferas de poder não pode repetir o que ocorreu no Pan-Americano.

- A cidade ficou sozinha por seis anos e o governo federal entrou só no finalzinho. O governo estadual fez quase nada - afirmou.

Ao contrário da democrata, Alessandro Molon (PT) identifica como gargalos da cidade: "transporte caótico e deficiente, segurança precária em todos os aspectos e meio ambiente descuidado".

O Comitê Olímpico Internacional define a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016 em 2 de outubro de 2009. O Rio concorre com Tóquio, Chicago e Madri.

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