Os integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) alegaram que a violência dos guardas, na entrada do Congresso Nacional, foi o estopim que os levou a invadir e depredar as dependências da Casa. Após a manifestação, 20 feridos foram encaminhados para o posto médico da Câmara. Entre eles, 18 são seguranças e dois são sem-terra. O caso mais greve é do coordenador de Apoio Logístico do Departamento de Polícia Legislativa, Normando Fernandes, que está internado na UTI do Hospital Santa Lúcia, com afundamento craniano frontal esquerdo e edema cerebral, segundo a diretoria de Comunicação da Câmara.
O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, deu ordem de prisão aos manifestantes e deixou sob responsabilidade dos seguranças da Casa a identificação e prisão dos responsáveis. Após a medida, os manifestantes resolveram deixar o Congresso Nacional. Segundo um dos coordenadores do MLST, Marcos Praxedes, os manifestantes vieram à Casa apresentar uma pauta de reivindicações e foram barrados pelos seguranças. Segundo ele, a violência partiu dos guardas:
- Eles partiram para cima da gente e aí a gente se defendeu.
Centenas de manifestantes chegaram pela portaria do Anexo 2, tentando entrar no Congresso Nacional. Os seguranças tentaram barrar a entrada das pessoas, sem sucesso. Houve tumulto e uma porta de vidro acabou se partindo. Um carro vermelho novo estacionado na entrada do Congresso, que seria sorteado em uma promoção, foi virado de cabeça para baixo. Pelo chão, ficaram papéis picados e estilhaços de vidro. Nesse momento, o presidente da Câmara dos Deputados pediu que os deputados abandonassem as comissões e fossem para o plenário. A confusão toda levou cerca de uma hora.
O Movimento de Libertação dos Sem Terra, que invadiu o Congresso Nacional, é o mesmo que no ano passado realizou uma manifestação no Ministério da Fazenda para exigir o desbloqueio de R$ 2 bilhões do orçamento da reforma agrária. O movimento surgiu em agosto de 1997 e é formado por militantes de esquerda e por ex-lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Atualmente, o MLST é organizado principalmente no estado de Pernambuco, e possui representantes em Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Maranhão.
Preso
O comandante geral do policiamento metropolitano do Distrito Federal, coronel Antonio Serra, confirmou no início da noite que um dos líderes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Bruno Maranhão, foi detido logo após a invasão de manifestantes às dependências da Câmara dos Deputados. Ele informou que a prisão foi determinada pelo presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
Um dos integrantes do movimento, Antônio Martins, disse que está há três anos e 30 dias no acampamento União, em Itaberaí (GO), e que pelo menos 15 ônibus trouxeram os manifestantes ao Distrito Federal.
- Somos mais de mil e reivindicamos pressa na reforma agrária - acrescentou.
'Ato grave'
Em nota divulgada à noite, a Presidência da República manifestou solidariedade e apoio ao Congresso Nacional diante da invasão de suas dependências por integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), ocorrida durante a tarde.
A Presidência da República considera "um grave ato de vandalismo cometido contra o Parlamento". Segundo o texto, a "agressão ao Congresso, espaço público para as manifestaçõeos legitimas e pacificas da sociedade, fere os principios da democracia e deve ser tratada com o rigor da lei".
O texto diz ainda que a Presidência "está segura de que os movimentos sociais não se identificam com atitudes de violência cometidas contra as instituições cuja a liberdade e soberania foram tão dificies conquistar". A nota está assinada pelo Secretário de Imprensa e Porta-Voz da Presidência da República, André Singer.