Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Missões de Paz precisam de US$ 1 bilhão

Segunda, 17 de Maio de 2004 às 11:26, por: CdB

O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, advertiu hoje, segunda-feira, que o aumento do número de missões de paz da organização vai requerer 1 bilhão de dólares adicionais até o final do ano.

Além disso, ressaltou que as missões da ONU continuam obstaculizadas pela falta de meios militares especializados dos quais geralmente as forças de países industrializados dispõem que, no entanto, fazem "contribuições limitadas" às operações de paz.

"Ao mesmo tempo, muitos países que querem fornecer tropas têm grandes dificuldades de enviar o pessoal dentro dos prazos necessários", acrescentou em um discurso o Conselho de Segurança.

Annan, cujo discurso abriu uma sessão pública do Conselho para fazer balanço das operações de paz, explicou que atualmente a ONU tem mais de 53.000 soldados, observadores e policiais civis desdobrados em um total de 15 missões, o que representa o maior número desde 1995.

"Muitas destas missões são grandes e complexas" e suas funções vão além dos trabalhos militares tradicionais que tinham, disse.

Ele afirmou que seus mandatos agora incluem tarefas como o apoio à reconstrução econômica, a administração da transição política, estabelecer novas instituições, organizar o retorno dos refugiados ou supervisionar o respeito dos direitos humanos.

Depois de destacar que recentemente foi criada uma missão para o Haiti, ampliou-se a da Costa do Marfim e que possivelmente será preciso enviar "capacetes azuis" ao Burundi e ao Sudão, informou que para responder às novas necessidades serão necessários 1 bilhão de dólares adicionais aos 2,82 bilhões do orçamento atual.

O diplomata lembrou os resultados de um recente estudo de economistas da Universidade de Oxford, segundo o qual o custo econômico das guerras civis, em termos de perda de receita e produção local e regional, é de 128 bilhões de dólares anuais.

"Se for comparado com o custo do conflito, as operações de paz são extremamente rentáveis", comentou o secretário-geral para apelar aos países-membros da organização que forneçam os recursos financeiros e as tropas que estas operações requerem.

"Peço aos países-membros que façam todo o possível para ajudar a preencher as lacunas" que existem entre as necessidades e a capacidade de contribuição dos países, de modo que as missões disponham da especialização necessária para essas operações e contem com um destacamento rápido, afirmou.

Por outro lado, destacou que os "capacetes azuis" da ONU precisam de mandatos "claros e aplicáveis", e que não basta enviar uma missão de paz mas é preciso demonstrar aos países em conflito que "estão respaldados por um compromisso político".

Annan destacou que em um momento em que as grandes crises monopolizam o interesse de todos - em alusão à situação no Iraque -, "o repentino aumento das missões de paz colocará a atenção da comunidade internacional a toda prova".

À margem dos recursos financeiros, ressaltou a necessidade de dispor de mais pessoal francófono, devido ao aumento das missões em países com esta língua.

Mais de quarenta países, membros e não membros do Conselho, inscreveram-se para participar desta sessão ao término da qual se espera aprovar uma declaração presidencial.

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