O presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastor Walter Altmann, parte nesta sexta-feira da cidade de Beira, no centro de Moçambique, para Nampula, no norte do país, para tentar obter informações sobre o assassinato da missionária gaúcha Doraci Julita Edinger. Ela foi encontrada morta, com indícios de violência sexual, em seu apartamento em Nampula na última terça-feira.
Doraci prestava serviços pastorais e sociais para comunidades pobres há 5 anos e pode ter sido assassinada por denunciar tráfico de órgãos humanos. Desde o início de fevereiro, a missionária vinha manifestando ansiedade em conversar com o presidente da igreja da qual fazia parte
- No último telefonema, Doraci manifestou preocupação com sua segurança, mas não claramente. Depreendi que o trabalho dela era bastante exigente em termos de esforço físico e atribuí também à vontade de nos encontrarmos - revelou o pastor Altman.
O administrador da igreja, Helvino Pufal, também conversou com a missionária no início do mês e disse que apesar de ela não mencionar o assunto, enfatizava a necessidade de falar com o pastor.
- Hoje entendo o porque da ansiedade de Doraci. Provavelmente ela sentia ameaça, medo, pelo ciúme ou raiva que despertava nas pessoas devido ao trabalho que fazia junto às comunidades carentes, de valorização da mulher. Ela era idolatrada na comunidades, estava incentivando a construção de escolas porque o analfabetismo lá é muito grande - comentou Pufal.
Os familiares da missionária que vivem em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, requereram o traslado do corpo dela para o Brasil, mas ainda não há data prevista.
Missionária do Brasil morta em Moçambique pode ter sofrido ameaças
Quinta, 26 de Fevereiro de 2004 às 21:27, por: CdB