Os Estados Unidos e o Japão aconselharam a Coréia do Norte a não testar um novo míssil, no momento em que os norte-coreanos pareciam ter concluído a fase de abastecimento de um artefato capaz de chegar até o Alasca.
A rede de TV YTN afirmou que, segundo autoridades sul-coreanas, era iminente o lançamento de um míssil Taepodong-2, da Coréia do Norte.
No entanto, especulações de que o míssil poderia ser lançado no final de semana não se confirmaram e a previsão de chuva no norte da Coréia do Norte pode adiar ainda mais esse suposto teste.
As tensões em torno do Taepodong-2 somaram-se, nesta segunda-feira, às pressões sofridas pelo ien japonês, pelo won sul-coreano e pelo dólar de Taiwan, apesar de os mercados de câmbio estarem mais preocupados com a elevação das taxas de juro nos EUA.
A Coréia do Norte surpreendeu o mundo em 1998 quando disparou um míssil pela primeira vez, parte do qual passou por sobre o Japão antes de cair no oceano Pacífico. O governo norte-coreano disse então ter lançado um satélite. Um ano mais tarde, em 1999, o governo comunista do país aderiu a uma moratória no lançamento de mísseis balísticos.
O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi - que se reuniu por duas vezes com o líder norte-coreano, Kim Jong-il, desde que tomou posse, em 2001 - disse que os governos do Japão, dos EUA e da Coréia do Sul haviam pedido à Coréia do Norte que agisse de forma racional e comedida.
- Mesmo agora, temos esperanças de que eles não vão fazer isso - disse Koizumi em uma entrevista coletiva.
- Mas, se eles ignorarem nossa opinião e lançarem um míssil, então o governo japonês, depois de realizar consultas com os EUA, teria de agir de forma dura - afirmou. O premiê não quis dizer quais medidas seriam essas.
O Japão já afirmou que poderia requisitar um encontro do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). E, na segunda-feira, Shinzo Abe, principal porta-voz do governo japonês, deixou aberta a possibilidade de sanções.
Segundo autoridades norte-americanas, os EUA tinham pedido à Coréia do Norte, por meio de uma mensagem enviada a diplomatas norte-coreanos presentes na ONU, que não realizasse o lançamento.
<b> Impasse nas negociações</b>
Os boatos sobre os preparativos para o lançamento de teste surgiram no momento em que estão paralisadas as negociações sobre o programa de armas nucleares da Coréia do Norte. Essas negociações contam com a participação de seis países: as duas Coréias, os EUA, a Rússia, a China e o Japão.
Alguns analistas acreditam que o governo norte-coreano, insatisfeito por ter perdido espaço no cenário internacional para as ambições nucleares do Irã e enfurecido com a operação norte-americana de combate a supostas atividades ilegais do país, realizará o teste.
As autoridades norte-americanas vêem com preocupação as fotos de satélite mostrando os preparativos para o lançamento na instalação de Musudan-ri, na Província de Hamgyong do Norte.
Autoridades em Washington, que não quiseram ter suas identidades reveladas, disseram no domingo acreditar que a fase de abastecimento do míssil estava concluída.
Mas o embaixador dos EUA no Japão, Thomas Schieffer, afirmou em Tóquio que não existia ainda qualquer "julgamento definitivo" sobre a situação.
Questionado sobre como os norte-americanos reagiriam a um lançamento, Schieffer disse que sanções poderiam ser estudadas.
- Trata-se de uma situação muito perigosa e reagiríamos a ela de forma bastante negativa - afirmou.
O lançamento de teste envolveria um míssil Taepodong-2, com um suposto raio de ação de algo entre 3.500 e 4.300 quilômetros. O Alasca (nos EUA) e partes da Rússia e da Ásia estariam ao alcance do míssil.
Autoridades norte-americanas disseram que a Coréia do Norte pode cancelar o lançamento, algo, no entanto, improvável em virtude da complexidade envolvida na operação de reti