Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Missão francesa de ajuda a Betancourt fracassa, mas não desiste

Governo francês anuncia retirada de grupo após Farc negarem acesso a reféns.

Quarta, 09 de Abril de 2008 às 06:09, por: CdB

A missão humanitária francesa que está na Colômbia desde a última quinta-feira com o objetivo de prestar assistência médica a Ingrid Betancourt, refém do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), vai deixar o país. Segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da França, liberado nesta quarta-feira, a permanência da missão, integrada também por representantes da Espanha e da Suíça, "não é mais justificável".

"Portanto, (a missão) deixará a Colômbia em breve", diz a nota.

Também nesta quarta-feira, o chanceler Bernard Kouchner disse que a França não desistirá de ajudar Ingrid e que buscará outros meios de chegar até o acampamento dela na selva.

- O que importa é que vamos continuar de uma forma ou de outra, e precisamos encontrá-la -disse Kouchner a jornalistas após a reunião semanal do gabinete. O chanceler viaja em breve para a América do Sul

Em uma declaração publicada em sua página na internet, as Farc afirmaram que a missão não seria apropriada e que o plano foi anunciado sem nenhuma consulta ou negociação com o grupo rebelde. Segundo o comunicado oficial francês, o ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, viajará em breve à região para discutir a situação.

Saúde

A missão havia sido proposta pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, depois de relatos de que Betancourt, que tem dupla nacionalidade colombiana e francesa, estaria com graves problemas de saúde.

Betancourt, de 46 anos, foi seqüestrada em 2002, quando fazia campanha para a Presidência da Colômbia. Ela integra um grupo de cerca de 40 reféns que os rebeldes consideram passíveis de troca por 500 guerrilheiros presos.

Em seu comunicado na Internet, as Farc afirmam que já soltaram seis pessoas neste ano e voltaram a pedir que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, estabeleça uma zona desmilitarizada para que a troca de prisioneiros por reféns seja feita.

Uribe se nega a atender a essa exigência. No entanto, o governo colombiano já prometeu suspender as ações militares contra as Farc na área em que os reféns são mantidos.

As negociações para um acordo humanitário entre o governo colombiano e as Farc foram interrompidas desde que o Exército da Colômbia bombardeou um acampamento do grupo rebelde no Equador, dia 1º de março, ação que resultou na morte de Raúl Reyes, número dois da guerrilha, e desencadeou uma crise diplomática na região.

Itamaraty

Em nota divulgada nesta terça-feira, o Itamaraty afirmou que o governo brasileiro "acompanha com crescente preocupação a situação de Ingrid Betancourt".

"Ao condenar o seqüestro como prática inaceitável, o Governo brasileiro apela para que Ingrid Betancourt e outros cidadãos que estão em poder das Farc, em especial aqueles cuja saúde inspira mais cuidados, sejam prontamente libertados", diz a nota.

O Governo brasileiro vê com interesse recentes manifestações do Governo colombiano, no sentido de conceder anistia em troca da libertação de todos os seqüestrados, e considera que este caminho deve ser aprofundado", afirma.

A nota diz ainda que o governo brasileiro renova sua permanente disposição em favor de ações humanitárias que contem com o apoio do Governo colombiano.

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