Os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, lideram uma missão brasileira que visitará Moscou entre os dias 17 e 21 de janeiro. O assunto central serão as cotas estabelecidas pela Rússia para a importação de carnes. O sistema prejudica o Brasil e beneficia o principal concorrente na exportação de carne de frango, os Estados Unidos.
Com a visita dos brasileiros, a expectativa é que a comissão intergovernamental Brasil-Rússia de cooperação econômica e tecnológica se reúna em Moscou. A comissão é presidida pelos vice-presidentes dos dois países, que devem se encontrar em março.
Os exportadores de carnes estão solicitando a ida dessa missão a Moscou desde outubro de 2003 - ou seja, antes de a Rússia decidir qual seria a cota de cada país para 2004. Os empresários já previam o desfecho desfavorável: apesar de fornecedor expressivo, o Brasil foi incluído na categoria outros países, que podem exportar em conjunto 68 mil toneladas de carne de frango e 117 mil toneladas de carne suína no ano.
É uma situação ainda mais complicada que a enfrentada em 2003 - primeiro ano de vigência do sistema de cotas russo. No ano passado, o Brasil foi contemplado com uma cota específica para carne de frango e conseguiu embarcar 160 mil toneladas. Já as cotas de carne suína foram distribuídas por importador e não por destino. Dessa forma, o Brasil atendeu 60% da cota total e exportou 320 mil toneladas do produto para a Rússia.
Segundo fontes das indústrias, o governo brasileiro relutou em enviar a missão, porque queria estudar melhor o comércio entre os dois países para avaliar o que poderia oferecer em contrapartida aos russos. No início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Furlan já havia visitado a Rússia e discutido essa mesma questão.
Os exportadores acreditam que os russos dificilmente irão alterar as cotas estabelecidas para 2004. Mas vale lembrar que o sistema será o mesmo em 2005.
- Existem alguns itens que podem ser alterados. Será uma negociação política - acredita o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Claúdio Martins, que irá participar da missão.
O Brasil conta com alguns trunfos para negociar com a Rússia: o apoio à entrada do país na Organização Mundial de Comércio (OMC) e o interesse dos russos na concorrência da Força Aérea Brasileira (FAB) para a compra de novos caças.
E o setor privado não se surpreenderá se houver um fato político novo, ainda não-divulgado, por trás da ida da missão a Moscou. No fim de 2003, Lula enviou uma carta ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, reclamando do tratamento dado ao Brasil na questão das carnes. Segundo fontes do setor, Putin teria respondido a carta recentemente.