Ministros das Relações Exteriores de países asiáticos e europeus pediram neste sábado que a Coréia do Norte volte à mesa de negociações, que tem como objetivo desarmar nuclearmente o país.
Reunidos em um encontro de países asiáticos e europeus em Kyoto, no Japão, 38 ministros mostraram "uma grande preocupação" com as declarações feitas pela Coréia do Norte, em fevereiro, de que o país desenvolveu uma arma nuclear. Os líderes também criticaram o regime militar de Pyongyang.
Na declaração conjunta ao final do encontro, os ministros pediram que a Coréia do Norte volte a negociar com os cinco países envolvidos nas conversações (Estados Unidos, China, Japão, Rússia e Coréia do Sul) para "o desarmamento nuclear pacífico da península".
A pressão da Europa e da Ásia ocorreu no dia seguinte às declarações do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei.
Ele disse que o mundo precisa ter tolerância zero com a Coréia do Norte e pressionar o país a não fazer um teste nuclear.
Segundo ele, um teste teria "consequências políticas e ambientais desastrosas".
O alerta veio depois que relatórios de serviços de inteligência sugeriram que a Coréia do Norte possa estar se preparando para testar uma arma nuclear pela primeira vez.
O Japão já havia advertido o país a retornar à mesa de negociações sobre suas ambições nucleares.
A Coréia do Norte vem rejeitando as negociações há quase um ano.
Chantagem
Analistas dizem que levar a Coréia do Norte para o Conselho de Segurança pode acarretar na imposição de sanções contra o país.
O jornal americano The New York Times noticiou na sexta-feira que as autoridades americanas estavam analisando fotografias de satélite que parecem mostrar extensas preparações para um teste, o que confirmaria a alegação norte-coreana de haver desenvolvido armas nucleares.
El-Baradei chamou a aparente escalada da Coréia do Norte de "chantagem nuclear".
Ele disse que a Coréia do Norte precisa "entender que a comunidade internacional terá tolerância zero com qualquer país que buscar o desenvolvimento de armas nucleares".
"Eu espero que o teste não ocorra. Espero que todos os líderes que tenham contato com o governo norte-coreano estejam no telefone hoje para dissuadi-lo da idéia", disse ele.
"Os testes teriam um grande impacto ambiental que novamente poderia levar à disseminação de radioatividade na região."
China
No encontro de sábado, o ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul, Ban Ki-Moon, reclamou da China que, segundo ele, poderia estar exercendo mais pressão sobre Pyongyang.
Mas o diplomata chinês, Li Zhaoxing, defendeu a política externa chinesa, alegando que Pequim tem muito menos influência no isolado país (a Coréia do Norte) do que o Ocidente pensa.