Ainda na entrevista coletiva concedida a quatro emissoras de rádio, nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo não está dividido em relação à política econômica porque há um debate em curso.
- ão está dividido porque não tem duas políticas econômicas, não está dividido porque não tem dois comandos, não está dividido porque nós aceitamos a democracia como um fator importante para o debate - disse o presidente.
Ao ser questionado sobre divergências entre ministros da área econômica, o presidente afirmou que "nenhum ministro pode pensar uma coisa e sair falando antes daquilo se transformar em política de governo".
- Eu chamei a atenção do ministro Paulo Bernardo (do Planejamento, Orçamento e Gestão), quando ele falou de uma política de ajuste fiscal de longo prazo antes de se transformar em política de governo - frisou.
O presidente acrescentou que internamente todos os ministros têm o direito de dizer o que bem entender.
- Quando eu estava no sindicato em São Bernardo, eu muitas vezes trancava a sala e falava, vocês querem brigar, briguem aqui dentro. A hora que abrir a porta têm que ter um único pensamento, uma única voz - disse Lula, ao acrescentar que "vocês (a imprensa) estão divulgando coisas que nós mesmos falamos e falamos equivocadamente".
Lula voltou a defender a atual política econômica, que, segundo ele, até agora tem dado resultados favoráveis:
- Você não pensa que o Palocci quer juros mais baixos? É lógico que quer. Você não pensa que o Meirelles quer juros mais baixos? É lógico que quer. Você não pensa que eu quero? Eu quero. Agora, veja, pode-se fazer uma loucura, um rompante e falar 'não, vou passar os juros para tanto' e no mês seguinte aumenta a inflação e aí nós vamos dizer 'por que aumentou a inflação?.
Ele também defendeu a manutenção da meta de superávit primário (a economia que o país faz para o pagamento dos juros da dívida) em 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O presidente afirmou ainda que as mudanças na política econômica não serão decididas em função das eleições de 2006.
- A eleição não me fará tomar nenhuma medida que possa passar para os olhos de milhões e milhões de brasileiros que estão nos ouvindo de que nós vamos fazer uma aventura por conta da eleição - concluiu.