Os ministros do PT não querem atrapalhar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, para facilitar, colocaram os cargos à disposição do partido para um remanejamento ou até cessão de pastas aos aliados do Planalto, tudo em prol da manutenção do poder.
Foi isso o que ficou decidido, em consenso, em reunião com a cúpula do PT em Brasília. Além disso, os petistas apontaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como principal inimigo do PT e do governo. E avaliaram que a derrota na Câmara acendeu sinal de alerta em relação à reeleição.
As decisões da reunião já foram passadas a Lula pelo presidente do partido, José Genoino. Na reunião, Genoino afirmou que o partido e os ministros deveriam deixar Lula "livre" na reforma para incluir mais aliados. Estavam presentes 18 dos 19 ministros petistas -só faltou Nilmário Miranda (Direitos Humanos).
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi mais ousado no discurso aos colegas e disse que a eleição de 2006 foi antecipada pela oposição e "já está aí". Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) comparou a situação do PT e do governo após a derrota na Câmara a um "mar revolto".