Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Ministros avaliam crise do capitalismo internacional como 'séria' e 'esquisita'

Ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann mostrou-se preocupada com o cenário econômico mundial. Ela apresentou à presidenta Dilma Rousseff, nesta segunda-feira, um panorama sobre a situação financeira internacional e advertiu que a situação "é séria".

Segunda, 08 de Agosto de 2011 às 09:28, por: CdB
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Ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann mostrou-se preocupada com o cenário econômico mundial. Ela representou a presidenta Dilma Rousseff, nesta segunda-feira, e traçou um panorama pessimista sobre a situação financeira internacional ao advertir que a situação "é séria". Hoffmann falou no lugar da presidenta na abertura do seminário Políticas públicas para a nova classe média e, em seu discurso, leu o que parecia ser um recado de Dilma. Ela adverte que o país deverá se preparar para para uma crise prolongada. – Todos sabemos que situação da economia mundial é séria. Nesses países, os governos não têm estado à altura da complexidade da situação e têm jogado para o mundo as consequências das suas incapacidades. Temos que agir com cuidado e responsabilidade. A última coisa que queremos é colocar em risco o nosso projeto de desenvolvimento. Os tempos são duros e precisamos estar preparados para proteger o Brasil dessa crise, que dá sinais de ser prolongada – afirmou. O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Moreira Franco, que participou da abertura do seminário, também demonstrou preocupação com a situação da economia mundial, que classificou de "esquisita". Segundo Moreira Franco, não é possível ignorar o cenário financeiro internacional ao pensar as políticas públicas para fortalecer a economia brasileira. – Ao construir esse caminho precisamos enfrentar um ambiente econômico internacional extremamente esquisito. É uma coisa tão inconcebível para a minha geração. Certamente teremos problemas aqui porque vivemos num mundo globalizado, e temos dois caminhos: continuar na visão pragmática de que temos que evitar que a crise chegue ou pegar essa realidade social, esse ativo social. Hoje podemos dizer que é compatível crescer e distribuir renda, esse processo gera a nova classe média – disse. Ao longo desta segunda-feira, autoridades e especialistas vão debater políticas públicas para a nova classe média, fenômeno que surgiu há menos de dez anos no Brasil. Na última década, 30 milhões de pessoas ascenderam à classe 'C', que chegou a representar, pela primeira vez na história, mais da metade da população brasileira. – O que queremos fazer hoje aqui é reunir todos os que estão pensando o fenômeno, trazer o governo, desenhar políticas que permitam manter a mobilidade para consolidar a conquista da última década, para torná-la permanente, até perpétua. Se não conseguirmos manter a mobilidade, pelo menos uma trava para que esse segmento não retroceda – disse Moreira Franco. Crise dos EUA A crise financeira nos EUA, inclusive, foi um dos temas da reunião de coordenação política entre a presidenta Dilma Rousseff e ministros nesta tarde. A presidenta Dilma está atenta à movimentação do mercado financeiro e aos reflexos da crise na economia mundial, além de receber constantemente informações da equipe econômica, de acordo com relato de assessores. Tradicionalmente a reunião de coordenação política começa com uma exposição do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o panorama econômico nacional e internacional. Nesta segunda-feira, as bolsas de valores em todo o mundo operavam em baixa em reação ao rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência Standard and Poor’s. O rebaixamento gerou incerteza ao piorar a nota do país que sempre foi considerado o melhor pagador entre os que emitem papéis para vender e pegar dinheiro emprestado no mercado financeiro.
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